Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/10/2020
Com o passar das eras históricas fomos nos desenvolvendo intelectualmente e tecnologicamente, o que antes era a ágora dos gregos hoje se trata da internet do mundo. Por termos acesso com rapidez as mais variadas notícias, temos acesso também com mais facilidade aos erros do indivíduo de modo que surge a problemática do cancelamento social.
A globalização conectou cidadãos do mundo todo e estreitou as relações da comunidade do próprio país, a democracia nunca foi tão real quanto agora e os gregos teriam inveja das nossas redes sociais. Contudo, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades e nossa sociedade parece não estar sabendo lidar com o peso da liberdade que a conexão com a internet proporciona, como consequência temos casos de pessoas sendo “excluídas” do ambiente social e sendo colocadas à margem apenas por pensar diferente.
Émille Durkheim, pai da sociologia, fala extensamente sobre o suicídio em suas obras e aponta ele como, na verdade, um homicídio feito pela própria sociedade na qual o indivíduo por conta da exclusão e afastamento acaba morrendo internamente. Nós, seres sociáveis como somos, não podemos viver em um ambiente que não contenha trocas e a prática do cancelamento apenas serve para o aumento da ocorrência de suicídios e mal estar social.
Segundo o G1, são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil, mais de 1 milhão no mundo e há um aumento significativo nos números todos os anos, com a prática do cancelamento sendo recorrente e cada vez mais praticada a lógica é que os números apenas aumentem cada vez mais. Além disso, não podemos nos apegar em erros do passado para o julgamento de uma pessoa, não somos formados para isso e este poder reside apenas nas mãos de um juiz.
Portanto, visando amenizar as questões aqui expostas, é papel do poder legislativo a criação de uma regulamentação para a internet a fim de que haja o cumprimento da lei no que tange os crimes de injúria e difamação, visto que o cancelador não é um juiz e merece ser punido por atrapalhar a vida de outras pessoas. Ademais, o Ministério da Educação deve auxiliar com a criação de palestras e aulas, por meio de plataformas online como o YouTube e Instagram, visando a informação para que haja a conscientização da população em relação ao cancelamento para acabar com essa prática que perturba os pilares da democracia.