Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 23/10/2020

No livro “O Auto da Barca do Inferno”, Gilberto Vicente, o pai do teatro português, elabora uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à cultura do cancelamento. Dessa forma, nota-se que esse comportamento nas redes sociais reflete um cenário desafiador, seja em razão do individualismo, seja pela má influência midiática. Em primeiro plano, é preciso atentar para falta de empatia existente nessa questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A opinião do sociólogo pode ser vista de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a cancelamento virtual. Tal da liquidez influi sobre a questão dos efeitos dessa cultura funcionando como uma forte barreira para que sua resolução seja realizada. Outro ponto relevante, nessa temática é a forma negativa que a mídia influência. De acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi feito para funcionar como instrumento de democracia não pode ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se notar que a mídia, em vez de realizar debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação da temática. Logo, faz-se necessário uma intervenção. Dessa maneira, especialistas no assunto, com apoio de ONGs também especializadas devem promover ações que revertam a má influência midiática sobre o cancelamento. Essas ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da produção de vídeos que alertam sobre os efeitos reais da questão, comparando como tratamento que a mídia dá com relação de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. Para ganhar mais visibilidade é possível usar “hashtag”, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto.