Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/10/2020

De acordo com o quadro “Mude Minha Ideia” do canal GNT com colaboração da página Quebrando o Tabu, é possível perceber que acerca do boicote virtual a personalidades, as posições são extremas e assumir um posicionamento assertivo em relação ao o que é melhor socialmente e nas relações interpessoais, mesmo que na internet, é praticamente impossível. No entanto, é necessária uma análise mais profunda para perceber que os malefícios se destacam na cultura do cancelamento.

O linchamento virtual têm sido um assunto em pauta nos últimos anos, devido à facilidade de acesso a informação e comunicação com o aumento da globalização. Tal prática consiste nas rejeições a personalidades, famosas ou não, depois de alguma atitude considerada como errada pelos internautas. O que a princípio teria a finalidade de alertar a pessoa de seu desacerto lutando pela conscientização, atualmente é uma atitude fora de controle. O “cancelado” sofre consequências reais, fora do âmbito virtual, sendo atingido psicologicamente e até fisicamente em alguns casos; quando o “cancelador” propaga o discurso de ódio, como um juiz virtual, protegido pelo algoritmo das redes sociais.

Segundo a série “Control Z” da Netflix, que aborda a cultura do cancelamento entre os personagens de uma escola, é fácil perceber que a mídia e o ideário preconceituoso que rege um padrão na sociedade “cancelam” pessoas que não cometeram nenhum tipo de ato falho, mas que simplesmente exercem suas diferenças. Em situações como essa, cada vez mais frequentes na cultura do boicote, é notável o desrespeito e o falso moralismo. O cuidado de ter uma visão com empatia e perceber que erros são humanos, mas que ninguém deve se esvair da culpa de certas ações, não dão lugar à redução de uma pessoa às suas falhas.

Portanto, conclui-se que, seguindo seu intuito inicial a cultura do cancelamento pode ser útil e eficaz, porém deve ser controlada de imediato já que a intenção com que está sendo exercida não é qualitativa e as diretrizes para solução do problema precisam ser traçadas. O Ministério das Comunicações, a mídia e ONG’s que sejam especializadas no assunto, devem agir em conjunto para a criação de campanhas e políticas públicas ao ter mais contato e ciência do que acontece online a fim de que situações de sentenciamento, sejam elas legítimas ou não, saiam âmbito virtual e sejam analisadas corretamente de acordo com a Constituição. O ato de julgar não pode ser normalizado.