Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/10/2020

Observando o cenário que a plataforma de streaming Netflix enfrentou há poucos meses, no qual foi atacada pelo público ao publicar um marketing enganoso, vendendo a ideia oposta ao filme “Lindinhas”, ao sexualizar crianças menores de idade, temos um exemplo de cancelamento. Dessa maneira, podemos perceber a importância de estar atento à veracidade das notícias publicadas e ao que a cultura do cancelamento pode causar na vida das pessoas envolvidas.

A princípio, a cultura do cancelamento reflete o ódio e falta de empatia, além de demonstrar o falso moralismo existente na sociedade. Sendo assim, é notável que as pessoas ou grupos que cancelam os erros de outras pessoas ou marcas, representam uma moral em relação a certo contexto social, e, se dão o direito de decidir o que é bom ou ruim, certo ou errado, impondo normas que julgam ser corretas socialmente. Ao fazer isso, contrariam a própria filosofia de vida, porque optam por apontar o erro ao invés de buscar dialogar e concluir o assunto com uma evolução social.

Além disso, a cultura do cancelamento, apesar de tentar alertar as pessoas e as autoridades a respeito de algo visto como errado, acaba por ser uma  barreira para o diálogo e para a mudança de opinião. De acordo com Wagner Taxa, “nosso meio separa, etiqueta, divide tudo com seu dualismo e sua polarização”. Nessa lógica, podemos perceber que “cancelar” algo ou alguém, não abre espaço para um debate saudável, pois, ao julgar o próximo não há consideração pelo seu erro e sua defesa, há apenas uma busca militante pela “justiça”, criando pessoas intolerantes.

Em virtude do que foi mencionado, conclui-se que para tal, cabe ao Ministério da Educação, com auxilio da mídia influenciadora, criar campanhas que abordem as consequências da cultura do cancelamento, para que todos compreendam que a necessidade atual é o diálogo, e que apontar os erros das pessoas não influencia em uma grande mudança na vida ou opinião das mesmas. Dessa forma, pode-se reduzir a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.