Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/10/2020
Nos últimos anos a internet ficou conhecida como um meio revolucionário de mobilização social. Conquanto, problemas relacionados à “fiscalização exagerada”, o que é chamado de cultura do cancelamento tem gerado problemas no que se refere à proliferação do ódio nas redes sociais. Nessa perspectiva, a fim de erradicar tal adversidade no corpo social, cabe-se de antemão analisar suas raízes: ora na falsa sensação de superioridade, ora no fato social.
Primeiro, é importante ter em conta que o movimento conhecido como “cancelamento” surgiu como uma forma de chamar a atenção para causas de justiça social e de preservação ambiental. Contudo, a estratégia virtual tem tomado o caminho oposto à procura por inibição de comportamentos taxados como errados e a prova disso é a agressividade que a prática aderiu. Segundo a pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), já são mais de 300 ataques verbais por hora, e ainda mais, a motivação principal seria a sensação de supremacia sob quem está sendo inferiorizado. Nesse sentido, percebe-se o aumento da diluição do ódio nas redes, o que no princípio deveria ser combatido por aqueles que a propagam, o que torna tal contexto preocupante.
Ainda mais, vale salientar o fato social como impulsionador do “cancelamento” nas redes. De acordo com Émile Durkhein, o indivíduo é produto do meio, ou seja, uma pessoa inserida em uma plataforma digital, ao qual, possui pessoas que praticam o ato de cancelar, também passará a exercer o feito em questão. Diante de tal contexto, acontece o que é chamado de “efeito dominó”, em que, os fatores sociológicos somados ao sistema de superioridade desencadeiam ainda mais a ascensão dos discursos intimidadores. Sendo assim, muitas das vezes, alguns se tornam reféns de um comportamento coletivo e automático, fazendo com que sejam destituídos do discernimento individual, o que se torna algo prejudicial à conduta pessoal de cada um.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem uma melhor comunhão de todos nos ambientes virtuais. Dessa forma, urge que, o Governo Federal, como instância máxima do poder executivo, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, atue em favor da população através da criação de projetos educacionais na internet, por meio de propagandas que visem o saber, a fim de que cada um possam compartilhar do meio digital, dentro dos limites do respeito ao próximo. Então, somente assim, será possível construir um corpo social mais íntegro.