Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/10/2020

De acordo com o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondré, a cultura do cancelamento, feita na internet, é realizada a fim de prejudicar alguém, sem que essa pessoa tenha a oportunidade de pelo menos tentar se defender. Nesse viés, fica evidente que costumes como esse se tornam totalmente negativos para a sociedade, tendo em vista que apenas promovem discursos de ódio que podem afetar diversas pessoas. Assim, percebe-se que o problema está vinculado não só ao pensamento punitivo da população, mas também à espetacularização feita nas redes.

A princípio, é válido destacar que sempre houve, ao longo dos anos, pessoas que se acharam no direito de julgar e condenar o outro sem ao menos avaliar a situação. Durante o período da Idade Média foi bastante recorrente a chamada “Inquisição”, na qual a Igreja Católica colocava em julgamento diversos cidadãos considerados hereges, sendo expostos em praça pública para apedrejamento - que era realizado pela própria população. Semelhante a isso, se torna claro que a cultura do cancelamento é exatamente um “apedrejamento” popular, mas que na contemporaneidade é feito de maneira ainda mais simples, já que a internet é um meio de fácil acesso para a grande maioria.

Outrossim, cada dia mais as redes sociais fazem com que a vida privada e a opinião pessoal dos usuários se tornem públicas, sendo alvos ainda mais acessíveis para serem “cancelados”. Consoante a teoria de Guy Debord, a sociedade atual vive em um grande espetáculo, no qual a individualidade deixou de existir justamente por conta da alta exposição. Desse modo, essa espetacularização gera graves consequências, dado que quando uma pessoa publica em determinada rede social, está sujeita a críticas e condenações, pois a partir daquele momento converte-se em um dos protagonistas do espetáculo que, negativamente, pode ser julgado pelo público.

Portanto, para que os impasses sejam solucionados, é impreterível que medidas sejam tomadas. Logo, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação junto as escolas, por meio de debates, aulas e projetos, mostrem o quão nefasto é o julgamento que se faz dentro e fora das redes sociais. Para isso, devem ser contratados professores de sociologia, profissionais da área das mídias sociais e psicólogos, fazendo programas especiais com os alunos, como debates acerca da tolerância, respeito e o que a disseminação de ódio pode causar. Espera-se com essas medidas que o futuro da sociedade, que são as crianças e os adolescentes, sejam educados de maneira que não apoiem a cultura do cancelamento e contribuam para uma vida pacífica nas redes.