Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/10/2020
Hodiernamente, com o avanço da tecnologia, percebe-se com uma frequência cada vez maior, uma cultura errônea de julgamento na internet, onde de maneira equivocada pessoas são literalmente “canceladas” no mundo virtual, mesmo na maioria das situações a intenção sendo boa, percebe-se o “cancelamento” como uma maneira precipitada ao tratar muitas vezes de assuntos tão extremos, ora complexos, ora irrelevantes. Por um tempo considerável, foi a maneira mais eficaz de se manifestar no meio tecnológico ao se deparar com uma situação inapropriada, mas a problemática se instala onde o próximo não tem mais poder de fala após ser “cancelado” por um deslize, ou por uma situação mal explicada (salvo situações injustificáveis, a exemplo: o racismo, ainda muito presente nas redes). Contextos em que o apropriado seria usar a internet de maneira benéfica, disponibilizando informações e instruindo quem errou, na realidade só são taxados, e excluídos. O escritor R. Buckminster Fuller dizia: “A humanidade está adquirindo toda a tecnologia certa para todas as razões erradas.”
Se é uma questão de tamanha seriedade como casos de homofobia, relatos de abusos psicológicos de alguém dentro da mídia, entre outros, é de certa forma compreensível, mas em casos completamente diferentes, dos quais são condições banais, que é a maioria das situações, revela de maneira evidente como os internautas não estão realmente dispostos a debater sobre o assunto, e sim apenas desdenhar ou diminuir o próximo para ter o conhecido “hit”, além de ser muito comum, esses mesmo que cancelam, fazerem e falarem coisas mais prejudiciais que os próprios “cancelados”, podendo prejudicar psicólogicamente quem escuta.
Diante do exposto, conclui-se como essa ação por mais que bem intencionada, pode ser extremamente tóxica, se praticada de maneira inadequada. Portanto, diante desse cenário, é preciso que o governo, juntamente com a mídia conscientizem esses “canceladores” por meio de campanhas influenciadoras que informem sobre o perigo que é mexer com o psicológico de outro alguém por trás de uma tela de celular, a fim de gerar na sociedade uma maior parcela de responsabilidade por aquelas vidas também. Assim, será possível atenuar a problemática relacionada ao cancelamento e possibilitar que as garantias constuticionais sejam atendidas, em prol do melhor convívio na sociedade.