Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/10/2020
Segundo o dicionário, cancelar significa tornar algo nulo, sem efeito, sem valor. Nas redes sociais, o conceito ganhou novas definições e tem sido aplicado a empresas, políticos, celebridades e todos aqueles que, de alguma forma, vacilam e apresentam comportamento que o público considera inadequado. Em tempos de streaming, em que o usuário pode cancelar o serviço a qualquer momento, tem sido cada vez mais comum surgirem campanhas pedindo também o cancelamento de pessoas.
A diferença é que “cancelar alguém” nas redes não fica apenas no ambiente virtual; a mobilização existe para pressionar e exigir que essas figuras canceladas sejam responsabilizadas pelos seus atos na vida real. Com isso, influenciadores digitais, marcas e demais envolvidos perdem seguidores, patrocinadores e deixam de vender. O prejuízo é social e financeiro. O tema é um forte candidato à redação do Enem, pois foge de assuntos mais óbvios, como coronavírus e Covid-19, mas segue pautando a mídia e alimentando discussões. Caso você venha mesmo a encarar o assunto no próximo Enem ou no vestibular, é interessante ter um embasamento teórico, fugindo de achismos ou ideias genéricas.
Alison V. Marques é jornalista, com MBA em Marketing Digital e mestre em Administração pela Universidade de Fortaleza; ele explica que o cancelamento existe há muito tempo, mas em níveis e compreensões diferentes do que a gente conhece e vivencia hoje. Segundo o pesquisador, o fenômeno começou a ganhar mais força em 2017, quando houve o movimento #MeToo, que denunciava assédio sexual e o abuso de homens conhecidos contra mulheres.