Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/10/2020
Recentemente, um rapaz estadunidense anônimo foi cancelado nas redes sociais, após ser publicada uma imagem do mesmo fazendo um símbolo considerado racista na janela do carro, ele foi demitido do emprego e foi atribuída a sua imagem a supremacia branca e por isso não consegue reerguer a vida novamente. Nesse contexto, percebe-se que é trivial o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Dessa forma, medidas devem ser tomadas para amenizar a problemática, que é motivada não só pela superficialidade das discussões acerca de problemas estruturais e sérios, mas também pelo descaso com a real mudança de opinião e atitude do cancelado.
A priori, é incontestável que a falta de profundidade nos debates sobre problemas sociais está entre as causas do problema. Segundo a mestre em direito Gabriela Priolli, é necessário reavaliar a cultura do cancelamento e ir mais a fundo na raiz dessas problemáticas presentes na sociedade. Outrossim, vê-se como é necessário maior cuidado para com essas atitudes que muitas vezes não geram resultado nenhum e muito menos soluciona o problema que é tratado de forma volúvel e por conseguinte somente gera prejuízos para a pessoa exposta que é atacada por discursos de ódio. Desse modo, é indubitável que a sociedade se atente a essa vertente imprescindível a esse assunto.
Ademais, salienta-se o desprezo para a melhora do comportamento do cancelado como mais uma das causas dessa problemática. Consoante a série Black Mirror, é essencial que se tome o máximo de cuidado com a exposição que será feita da pessoa acusada de determinado ato condenável aos olhos da sociedade, pois esse cancelamento pode marcar a pessoa para o resto da vida. Portanto, nota-se que essa cautela citada na série, não está sendo tomada e essas ações de exposição está prejudicando a vida de muitas pessoas que são alvos de correntes ódio até mesmo sendo inocentes e além disso, é necessário uma instrução a essas pessoas e oportunidade de se redimirem. Logo, é vergonhoso que essa inércia continue enquanto vidas são destruídas no âmbito social.
Destarte, para que ocorra esse cenário de debate acerca da cultura de cancelamento no contexto nacional, providências devem ser tomadas. Por isso, o Ministério da Cidadania– órgão responsável pela implementação das políticas públicas que garantem os direitos individuais, deve encetar uma maior fiscalização nas principais redes de cancelamento, por meio de uma proposta de criação de filtros mais rigorosos para essas publicações que deve ser implementado nas plataformas. Nessa lógica, o intuito de tal medida é provocar um cuidado mais amplo das pessoas para esses assuntos e cuidado com os cidadãos cancelados. Somente assim, o Brasil poderá, de fato, construir um ambiente menos hostil e mais justo para todos.