Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/10/2020

Nos tempos atuais percebe-se a grande evolução da globalização, sua importância e influência na sociedade e a internet é o grande facilitador para que ocorra essa troca de informações políticas, econômicas, sociais e culturais. Entretanto, a web, em específico as redes sociais, por passar a impressão de proximidade, propriedade acaba apresentando aspectos negativos nas relações inter sociais. A cultura do cancelamento que percorrer o espaço cibernético a alguns anos — e consiste em um usuário parar de consumir o conteúdo de uma pessoa, após essa ter um posicionamento considerado errôneo por uma grande maioria de internautas. Em conseguinte, esse costume desestabiliza psicologicamente o influenciador e cria a falsa ideia de que há pessoas que não erram e quem erra não é digno de perdão ou hipótese de mudança.

Por certo, antes de ser intitulado como a cultura do cancelamento, o movimento tinha como propósito refutar ideias arcaicas que não mais representam a sociedade atual. Dentro dessa perspectiva pode-se observar o lado positivo inicial da dinâmica, a vontade de corrigir preconceitos, atitudes negativas e influenciando o corpo social a ser mais tolerante diante da diferença do outro. Porém, a camada social que prega flexibilidade e respeito é a mesma que é inflexível e condena a outra camada por cometer erros considerados imperdoáveis. Em síntese a agremiação percebe que todo ser está sujeito ao erro e que nenhum movimento social pode ser radical ao ponto de infringir a existência do outro.

Incontestavelmente, os casos em que ocorre essa anulação virtual vem aumentando gradativamente desde o início do movimento, no Brasil o influenciador digital Felipe Neto sofreu muitos ataques com esse viés. Após começar sua carreira com posicionamentos agressivos e impopulares, o youtuber passou longos anos sendo inutilizado profissional e pessoalmente pela nação. E, mesmo que atualmente seja considerado pela Times uma das cem pessoas mais influentes do mundo todo, ainda sofre muitas críticas pelas atitudes que teve a 10 anos atrás. Portanto, enfatiza-se o quão tóxica e prejudicial essa liberdade pode ser para todas as pessoas que estão inseridas nesse meio.

Assim sendo, para evitar os fatos mencionados, a maior parte da mobilização precisa partir da sociedade e dos indivíduos. As famílias precisam ensinar as crianças a tolerância e aprender a respeitar o próximo e suas diferenças, por meio do convívio social, tanto dentro de casa quanto nos ambientes frequentados pela mesma. A mídia, mais precisamente as redes sociais, devem arrumar uma forma de anular conteúdos negativos que preguem o preconceito, a violência e a intransigência, apagando essas postagens e comentários ou proibindo os usuários de fazê-las. Os indivíduos devem trabalhar a empatia e se colocar no lugar do outro ao fazer um comentário ou pensar sobre uma pauta que venha desprezar as condições de outra pessoa.