Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/10/2020
No mês de julho deste ano, a youtuber de educação Débora Aladim falou em uma aula de redação que Freud era considerado o pai da Psicologia, ao invés da Psicanálise. No entanto, mesmo que em seguida da postagem da aula ela tenha corrigido a informação, a estudante de História se tornou alvo da cultura do cancelamento, no qual muitas pessoas, pelas redes sociais, desmereceram o seu trabalho de 7 anos com o seu canal, diante desse erro. Por certo, esse fato recente demonstra que o avanço tecnológico nos meios de comunicação possibilitou maior liberdade de expressão nas pessoas. No entanto, se não for bem utilizada pelos usuários, pode levar a um cenário de intorlerância, confundida com justiça social, entre muitos que fazem parte da cultura do cancelamento. Deve-se destacar, a princípio, o quanto os meios de comunicação, como as mídias digitais, avançou com as tecnologias, possibilitando, no mundo todo, maior liberdade de expressão para o indivíduo contemporâneo. Um exemplo, foi a manifestação brasileira em 2013 contra diversos problemas no país, como o aumento da tarifa do transporte público, violência policial e gastos públicos, sendo propagada, inicialmente, pelas redes sociais, que promoveu diversos protestos e contaram com 84% de aprovação dos brasileiros. Isso evidencia, certamente, o quanto a internet pode gerar uma população cada vez mais ativa, capaz de discutir e aprender com o uso dessas ferramentas. Por outro lado, a cultura do cancelamento acabou limitando os meios digitais para discursos intolerantes de julgamentos, entendidos, muitas vezes pelos usuários, como justiça social. Com efeito, a pressão social com muitas figuras públicas que trabalham nesse ambiente, prejudicou a liberdade ao se expressar por conta desse juízo moral, limitando, até mesmo, a comunicação. Essa realidade deletéria foi abordada pela série americana Black Mirror no episódio “Odiados pela nação”, em que usuários do Twitter do Reino Unido perseguiam famosos, por meio de discursos de ódio e até participavam de enquetes julgando se mereciam ou não morrer por alguma atitude negativa que veio ao público. No entanto, a pessoa mais votada era, realmente, encontrada morta no dia seguinte. Tal obra de ficção científica envidencia como muitos praticantes da cultura do cancelamento não compreendem que são responsáveis por propagar o ódio contra um indivíduo, de forma inconsequente, já que as redes sociais proporcionam essa condição. Diante disso, depreende-se que essa cultura expõe uma sociedade intolerante ao consumir conteúdos digitais. Portanto, urge que a Secretária dos Direitos Humanos promova um projeto para discutir o assunto, por meio de palestras online com profissionais capacitados, psicólogos, forma, aos poucos, os brasileiros irão evidenciar mais os acertos que os erros dos outros, assim como a Débora Aladim merece ser valorizada pelo seu trabalho com os jovens estudantes do país.