Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 17/10/2020

No atual momento critico que se encontra a população mundial, um comentário polêmico proferido pela influenciadora digital Gabriela Pugliese, blogueira fitness muito conhecida no Instagram, ao romper o isolamento social da pandemia de Covid-19, a fez perder inúmeros patrocinadores devido a sua fala em descaso com a vida, ao promover uma festa com um grande número de pessoas. Em virtude desses fatos, o cancelamento virtual impôs a blogueira duras criticas que a fizeram se afastar dos meios comunicativos por um período longo de tempo. Assim, fica claro que a cultura de cancelamento se baseia em dois eixos: propagar a cultura de ódio e no individualismo social.

Primeiramente, deve-se entender que a internet, em seu pleno acesso, possibilita que o usuário exerça sua capacidade de opinar e expor sua vida pessoal momentaneamente nas redes sociais. Nesse viés, as atitudes e o respeito provido por comentários no âmbito virtual tornam qualquer usuário vítima da política de cancelamento, sendo que, esse fator diz respeito à interrupção do apoio aos atores, políticos, músicos, influenciadores digitais, por quaisquer comentários de postura inadequada considerada condenável, ofensiva ou preconceituosa. Sob esse âmbito, a internet usufrui dessa vulnerabilidade e, os que usufruem dessa tecnologia se acham especialistas em julgar e condenar as opiniões alheias, propagando a cultura do ódio e a violência virtual.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Desse modo, o usuário, ao estar imersos nesse panorama líquido, acaba por perpetuar a exclusão e a dificuldade de saber lidar com todas as opiniões durante nosso acesso às redes sociais, no qual, apenas uma palavra ou frase digitada e postada condena a imagem de uma pessoa pelo resto da vida. Assim, é certo dizer que a cultura de cancelamento impulsiona uma busca incessante e inexistente pela perfeição, o que impede o a pessoa de aceitar os defeitos e atinge prejudicialmente a saúde mental das vítimas.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Assim, especialistas no assunto, com o apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a cultura do cancelamento. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto.