Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

Para o filósofo escocês David Hume, a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento, habilidade que permite ver aquilo que nunca foi visto e ouvir aquilo que nunca foi ouvido. Sob essa ótica, vê-se que a internet representa a capacidade do indivíduo de transpor suas ideias e pensamentos, de modo a possibilitar boicotar as pessoas por comportamento que o público considere inadequado. É prudente apontar, diante disso, que a cultura do cancelamento deve ser combatida, haja vista entender a finalidade de combater os excessos consolidados por aspectos sociais e aspectos midiáticos.

Em primeiro plano, é lícito postular a persistência desses ataques virtuais afronta estruturalmente um convívio harmônico, e consequentemente não pode ser deixado de lado. Para entender essa lógica, pode-se mencionar o renomado filósofo Michel Foucault, o qual, em sua obra “Vigiar e Punir”, ratifica tornar os corpos passivos e dóceis a aceitar a realidade social e tudo que lhe é oferecido. Dessa forma, o indivíduo fica passivo e acaba seguindo o exemplo para se encaixar, é exatamente nessa conjuntura que se insere o “tribunal virtual “, que impulsiona atitudes veladas e as pessoas seguem a tendência por ser mais aceita socialmente. É perceptível, portanto, que a persistência desse panorama instaura o paradigma de deslegitimar e silenciar parte da sociedade.

Ademais, a internet atualmente tem um importante papel social na comunicação seletiva, e uma de suas vantagens é a facilidade para difundir notícias falsas. Indubitavelmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma nação. Contudo, é desanimador que tal diretriz não dá sinais de plena execução e, para provar isso, basta analisar as pesquisas do veículo de informação UOL, que demonstram a lamentável perpetuação de notícias inverídicas. Vê-se, então, o perigo dessa prática já que com o fácil acesso a essa manipulação pessoas podem ser prejudicadas, o qual alicerça uma sociedade cujos efeitos destroem, em muitos eixos, a dignidade do ser humano.

Torna-se evidente, portanto, que combater os excessos consolidados pelos aspectos sociais e midiáticos corrobora para o desmanche gradual da cultura do cancelamento. Nesse contexto, o Ministério da Educação e a mídia deve debater os impactos dessa cultura, por meio de discussões em aulas de sociologia e a divulgação das consequências na vida das pessoas canceladas, e não só abordem os princípios envolvidos nessa prática mas também as pessoas que são acusadas injustamente ou por um único erro. Assim, o cancelamento vai ser combatido o que confirmará o artigo 1948 da Constituição.