Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/10/2020
Em um dos episódios da série “Black Mirror”, é retratada uma sociedade onde pessoas são atacadas por um enxame de abelhas, modificadas em laboratório e enviadas por outras, caso não sigam as regras e o que é esperado. Fora da ficção, é fácil comparar tal episódio com os constantes “cancelamentos” nas redes sociais, nos quais há o incentivo em massa para julgar e deixar de apoiar determinadas personalidades ou empresas, públicas ou não, em razão de erro ou conduta reprovável.
Em primeira análise, é válido destacar os pensamentos antagônicos entre julgamento público, ato de cancelar, com o método socrático, conhecido como Maiêutica, que consiste na multiplicação de perguntas, induzindo o interlocutor na descoberta de suas próprias verdades. Dessa forma, diferente das concepções do filósofo, as atuais ações na internet representam impasses no desenvolvimento do conhecimento e amadurecimento da pessoa julgada, uma vez que tira o direito ao entendimento devido do assunto e que, consequentemente, não gera mudanças em seu pensamento.
Outrossim, cabe salientar que na óptica foucaultiana, especificamente em seu livro “Microfísica do Poder”, o ser humano é movido por um viés de desejabilidade social, ou seja, por um tipo de viés cognitivo, segundo o qual as pessoas têm a tendência mental de tomar decisões baseados na maneira com que as suas escolhas serão avaliadas por outras.
É mister que o Governo Federal, portanto, use de sua influência para reduzir as consequências do tema e para evidenciá-las aos usuários das redes sociais, por meio de campanhas de conscientização com auxílio de profissionais especializados no tema, como psicólogos e sociólogos;