Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/10/2020
Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear uma prática virtual que já vinha acontecendo: o boicote a personalidades (famosas ou não) que cometeram alguma violência dentro e fora do espaço virtual.
Os motivos que os fizeram ser “cancelados” são vastos: desde publicações e comportamentos considerados racistas, homofóbicos ou machistas até supostas conivência com governos extremistas e autoritário. Raul Seixas, por exemplo, foi cancelado depois que uma biografia publicada 30 anos após sua morte afirmou que ele teria entregado o amigo Paulo Coelho aos militares durante a Ditadura Militar. Quase um ano depois do cancelamento, a Folha de S. Paulo revelou documentos que apontam que, na verdade, tudo pode não ter passado de um mal-entendido.
O que acontece, segundo a pesquisadora, é que a cultura do cancelamento foi perdendo o senso de proporção. Se antes cancelavam-se figurões de Hollywood acusados de abuso sexual, hoje se cancela alguém que usa um termo deturpado para se referir a algum tema do universo LGBT+, por exemplo. “As pessoas confundem o que é você estar agindo por ignorância ou estar reproduzindo um preconceito por ser parte de um grupo privilegiado”, afirma Anna.
O cancelamento não deveria ser o objetivo final, mas sim a mudança nas estruturas que geram esse tipo de comportamento. A sociedade deve ligar o alerta para temas assim, mas sem exageros e que o governo e os órgãos certos tomem as providências quando se trata de um crime.