Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/10/2020

O termo cultura do cancelamento se popularizou em meados do ano de 2019, mas existe indícios que foi inspirado no movimento #MeToo, que surgiu antes e ganhou maior notoriedade em 2017 e expunha casos e nomes de agressores em Hollywood.

Com objetivo inicial de expor problemas sérios e denunciar casos de racismo, homofobia e assédio por meio da internet, essa mobilização tomou um caminho diferente da proposta do movimento, virou uma onda que incentiva pessoas a deixarem de apoiar determinadas personalidades, empresas e até mesmo pessoas aleatórias, em razão de erro ou conduta reprovável na visão dos usuários da internet. Depois que o problema ou pessoa é exposta, geralmente surge um boicote imediato, expondo a vida pessoal e até dados nas redes sociais.

Apesar dos julgamentos, a cultura do cancelamento também pode gerar um efeito contrário ao que se espera, como já foi visto em alguns casos de pessoas ´´canceladas´´, a proporção da exposição faz com que a pessoa ou empresa ganhe mais visibilidade, gerando mais engajamento e sucesso profissional. Na maioria das situações de cancelamento, o grupo que mais perde com isso são grupos minoritários, pessoas comuns sem nenhuma relação com a mídia, abrindo espaço para comentários depreciativos e ameaças, diferente de uma personalidade pública que mesmo sendo  julgada possui apoio do público, ganhando mais engajamento e geralmente seu erro é esquecido depois de meses pela mídia.

A cultura do cancelamento existe apenas para um grupo de pessoas, em que comportamentos considerados reprováveis serão julgados por um tribunal da internet, seja uma opinião ou gesto mal interpretado. A internet não é uma terra sem lei, a livre manifestação de pensamento e da liberdade de expressão é um direito de cada pessoa, semear debates de forma saudável traria benefícios para a sociedade e promoveria o progresso intelectual.

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