Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/10/2020
Ao longo do processo de formação da sociedade, movimentos em busca da justiça social ganharam visibilidade em alta escala com a chegada das redes sociais. Assim, a cultura do cancelamento, inicialmente, era utilizada como meio de desenraizar preconceitos, expor fake news e corrigir comportamentos inadequados. Contudo, a prática de “cancelar” transformou-se em uma nova ferramenta de disseminação do ódio, ameaçando o bem-estar social dos indivíduos.
Em primeira análise, é evidente que o fenômeno atinge, de forma direta ou indireta, todas as camadas da sociedade. Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo o indivíduo tem o direito a liberdade de opinião e de expressão. Dessa forma, o ato de “cancelar” impede que a população propague livremente suas ideias, pois o cancelamento pode ocorrer seletivamente, de acordo com privilégios sociais e conflitos de ideias.
Ademais, o cancelamento ressaltou a pressão com relação a necessidade de posicionamentos imediatos, promovendo soluções simples e ineficazes para problemas complexos. Sendo assim, essa cultura pode ser interpretada como um meio contrário à evolução e desconstrução da sociedade. Afinal, um post de anos atrás é facilmente resgatado no twitter ou facebook e interpretado como um posicionamento recente do usuário, gerando julgamentos desnecessários. Tais práticas ocorrem regularmente com famosos, que diariamente sofrem ódio na internet por conta de tuítes e vídeos antigos.
Portanto, é essencial o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea e suas problemáticas no meio virtual. É necessário que as mídias se mobilizem a realizar programas e lives em plataformas como youtube e instagram, que abordem sobre a responsabilidade social de “cancelar” algo ou alguém, alertando sobre a justiça coerente e conscientizando à respeito dos movimentos sociais. Para que assim ocorra a redução da disseminação do ódio entre o povo.