Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 19/10/2020

A Revolução digital foi um dos principais colaboradores para à atual situação do mundo, visto que facilitou a comunicação e o desenvolvimento humano de inúmeras formas. No entanto, os pontos negativos estão cada vez mais presentes e um dos mais recentes é a cultura do cancelamento, que envolve debates do discurso de ódio e a liberdade de expressão.

A priori, é oportuno frisar o que é essa nova cultura. Certamente, no Brasil está correlacionado à ataques direcionados a indivíduos que publicaram algo politicamente incorreto, sob o ponto de vista dos internautas. Logo, a mobilização para a exclusão dessa pessoa inicia, vale salientar que essa ação pode acontecer de várias formas, porém entre os brasileiros sobressai um padrão. Todavia, focam em famosos ou influencers, refletindo basicamente na carreira do cidadão, posto que os impactos são quebra de contratos, perda de patrocínio, a crítica dos haters ou até mesmo não ser convidado para determinado evento. Nesse contexto, um caso que valida o sobredito foi o da blogueira Gabriella Pugliesi, que em meio a pandemia realizou uma pequena festa que repercutiu por semanas e causou um prejuízo de 2 milhões. Em suma, é evidente que as consequências são pessoais e não geram um efeito amplo e colaborativo para o corpo social em geral.

A posteriori, convém ressaltar que pelo fato de ser algo vivido hodiernamente pela população é mais complicado perceber e analisar friamente as situações.Com base nisso, a percepção do renomado fi- lósofo Francis Bacon enquadra na temática, afinal ele dizia que quanto mais conhecimento a huma- nidade adquire melhor ela fica.Contudo, para a contemporaneidade é algo questionável, uma vez que a internet fornece uma infinidade de recursos, promove a acessibilidade, mas o consumo, em sua mai-oria, é voltado para a banalidade e a intolerância. Segundo Sócrates, a sabedoria e a evolução ocorrem por meio da dialética, mas em contrapartida a sociedade diariamente não debate de modo construtivo,  pois estão preocupados apenas em mostrar o seu próprio posicionamento interpretando o que convém  para a sua realidade. Diante disso, o psicólogo Leonardo Goldberg afirma que o cancelamento e seus  impactos estão relacionados ao contexto da época, os assuntos em alta, a posição social do cancelado e a compreensão do ato, utilizando os princípios éticos e morais de cada um. Em síntese, é nítido que a liberdade de expressão permite a exposição e os ataques opinativos, entretanto não é uma ação eficaz.

Em face do exposto, as empresas responsáveis pelo meio de comunicação precisam criar um suporte de denúncias. A partir disso, as queixas de imoralidade será avaliada e mediante a um debate com  profissionais qualificados será esclarecido e determinado, perante a lei, qual a punição ou medida de conscientização deve ser tomado, a fim de modificar o cancelamento para algo eficiente e democrático.