Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/10/2020

A ascensão de debates sociais e políticos criou um ambiente virtual permissivo de cobranças, chamado de cancelamento que, utilizando-se do alcance viral das redes e de comentários intolerantes, assemelha-se a um linchamento e atua impossibilitando o diálogo entre o alvo e os acusadores.

Conforme o exposto, é comum ao acessar uma plataforma como o Twitter, encontrar na lista de assuntos mais comentados o cancelado do dia, acompanhado de suas declarações antigas, sendo atacado por um grupo com opiniões políticas opostas ou com algum conhecimento social sobre o assunto. E na maioria das vezes, não há a preocupação de educar o ofensor sobre o próprio erro e conceder à ele um chance de evolução.

Como um exemplo de consequência da sua fácil disseminação e polarização, esse comportamento foi adotado por campanhas políticas de diversos países, no qual o adversário eleitoral é o centro de ataques que tentam distorcer a sua moral. Tal estratégia mostrou-se crucial para as últimas eleições presidenciais e solidificou-se como um método de prejudicar os concorrentes apostando na desordem causada nas redes sociais, transpassando o cenário público e afastando-se do seu propósito inicial de denunciar problemas por vezes ocultos no cotidiano do coletivo.

Portanto, diante do exposto, torna-se evidente que a cultura do cancelamento é um malefício para a sociedade quando pautada na impaciência e agressão, e não no objetivo de reivindicar justiça por uma ocorrência pontual. Assim, faz-se necessária a atualização das regras internas dessas plataformas sociais e a implementação de campanhas que visem a conscientização dos usuários sobre a ética inerente ao seu respectivo uso, efetivadas pelas próprias companhias empresarias responsáveis pela conjuntura digital, como o Facebook. Somente a partir desse caminho o amadurecimento de discussões e correções na coletividade será possível.