Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/10/2020

A obra " O triste fim de Policarpo Quaresma", do modernista Lima Barreto revela seu protagonista com a característica marcante do ufanismo, acreditando em um Brasil utópico. Contudo, em tempos hodiernos, a cultura do cancelamento, torna o país distante do imaginado pelo sonhador personagem. Nesse ínterim, esse imbróglio não é só chancelado pelo mau uso da tecnologia, como também pelos os nefastos comportamentos civis.

Em primazia, convém ressaltar, o nefasto uso das redes sociais como impulsionador do caos. Imerso nessa logística, de acordo com o renomado escritor George Orwell, a obra de 1984 retrata o mau uso da tecnologia como uma sociedade distópica. Sob esse prisma, a realidade brasileira se aproxima da obra de Orwell, uma vez que as pessoas usam redes sociais para criticar comportamentos nocivos de personalidades públicas, na qual o cancelamento pode trazer consequências negativas, abalando a saúde mental dos cidadãos, como quadros de ansiedade e depressão - que é a doença do século. Sendo assim, é imprescindível que os indivíduos que faz o julgamento perante a internet pensem nos efeitos que irá gerar através desse ato.

Faz-se mister, ainda, salientar os perniciosos comportamentos civis como catalisador do problema. Á luz do exposto, segundo Machado de Assis, o período literário do realismo, revela a verdadeira face da sociedade no final do Império, estabelecendo fortes críticas. Nesse contexto, é notório que o período do realismo repercute o cenário atual, tendo em vista que algumas pessoas são fortemente julgadas por suas atitudes, e isso vêm, sobretudo, de indivíduos que não concordam com a opinião do outrem e, assim, originando um corpo coletivo intolerante. Por conseguinte, essa agressão, por falta de diálogo, futuramente, pode formar cidadãos mais agressivos e, desse modo, configura uma sociedade frágil.

Infere-se, portanto, que o Estado deve fomentar o investimento em políticas, e adotar medidas exequíveis, que visem orientar as pessoas, a usarem as redes sociais de maneira correta, por intermédio de atividades lúdicas, de palestras e de seminários, com a finalidades de amenizar os empecilhos causados pelo o má gerenciamento da tecnologia. Ademais cabe as ONG´s - Organizações não Governamentais - , proporcionar projetos, voltados para os comportamentos do ser humano na sociedade, com o objetivo de melhorar as condutas dos usuários nas redes digitais. Dessa forma, a realidade brasileira torna-se-á mais próxima do imaginado pelo sonhador personagem.