Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/10/2020
Hoje, em redes sociais como o Twitter, Instagram, vemos diversos famosos ou influenciadores digitais serem “cancelados”, ou seja, sendo excluídos da sociedade por determinada pessoa ou grupo, deixando de existir na vida delas e não permitindo que elas sigam suas vidas sem a devida punição. Algumas vezes é temporário, outras vezes a pessoa cancelada precisa mudar, pelo menos exteriormente, para ser aceita novamente. Existem casos e casos, e a grande parte deles acontece por conflitos de opiniões e pensamentos. Pode haver um “certo ou errado”.
Uma pessoa ser cancelada significa que ela fez ou disse algo errado, que não é tolerado no mundo de hoje, em que muitas pessoas passaram por essa desconstrução social. Algumas pessoas, no entanto, possuem vivências diferentes e não conseguiam enxergar seus erros antes de terem sido afastada na internet, sendo então essa punição uma maneira de educar. Cultura do cancelamento é um tema que já chegou a ser debatido até mesmo pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “O mundo está uma bagunça, existem ambiguidades”, disse. “Pessoas que realmente fazem coisas boas têm falhas, disse Obama em entrevista realizada no ano passado.
Houve um caso recente de uma jovem estrangeira que mora no Brasil, que fez um vídeo zombando de algumas tradições, como comer arroz e feijão todos os dias, ou ainda escovar os dentes após as refeições. Esses comentários inofensivos se tornaram uma dor de cabeça para a jovem, que foi xingada com palavras baixas e ameaças, o que é comum ocorrer em muitos casos, entre outras coisas prejudiciais à saúde mental. A falta de empatia é causa expressa da questão. A filosofia descreve a empatia como sendo um dos componentes da compaixão. Nessa lógica, desenvolver empatia é reconhecer e compreender, sem reservas ou julgamentos, o sentimento do outro. Infelizmente, quando se aborda o cancelamento no cenário atual, nenhum dos elementos formadores da empatia são percebidos, uma vez que, os praticantes deste ato esperam algo que eles julgam errado acontecer, para assim, atacar a reputação, perseguir e envergonhar publicamente alguém, alimentando as más consequências provenientes dessa lacuna.
Portanto, medidas são necessárias para resolução dos impasses. O Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve promover uma campanha educacional sobre a importância da empatia relacionada ao cancelamento. Tal campanha deve conter aulas ministradas por professores e psicólogos visando à conscientização dos indivíduos, para promover o respeito coletivo. De certa forma, a cultura do cancelamento, por estar em um ambiente público, traz a oportunidade de pessoas entenderem as questões graves relacionadas à preconceitos.