Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/10/2020

A “cultura do cancelamento” antes vista como uma maneira eficaz de chamar atenção para causas sociais importantes e necessárias, hoje encara a banalização dos seus reais intuitos.

Os insultos que estão cada vez mais presentes no “cancelamento” via redes sociais, juntamente com o discurso de ódio e a falsa crítica construtiva que são responsáveis por inúmeros casos de depressão e baixa autoestima no Brasil. Não somente os ditos “famosos” sofrem o “cancelamento”, visto que é uma prática bastante comum no Instagram, uma das redes sociais mais acessadas no mundo, uma pessoa anônima pode facilmente ser um alvo, basta um vídeo, uma piada mal interpretada ou uma fala mal colocada  e o “cancelamento” é feito.

Sendo assim, o julgamento pode estar baseado em uma  ignorância sobre determinado assunto, em uma fala dita indevidamente e não necessariamente em práticas de preconceito ou exclusão. Os milhares de " haters" escondidos nas redes sociais responsáveis pela camuflagem do discurso de ódio em " cancelamento"  passam a fazer uma perseguição minuciosa a vida social das pessoas. Vale ressaltar os pontos positivos da “cultura do cancelamento”, a exemplo, o jornalista william waack ,que teve um vídeo vazado, onde o mesmo fazia comentários racistas e foi desligado da emissora em que trabalhava na época.

Portanto, a “cultura do cancelamento” deveria ser usada como uma maneira de barrar qualquer ato de exclusão, descriminação racial, de classe, machistas ou homofóbicas que ferem os direitos humanos. Desse modo, os aplicativos de mídias sociais deveriam  aprimorar suas políticas de privacidade e de não agressão para barrar o discurso de ódio e os “haters” impossibilitando que qualquer fala do ato discriminatório chegue aos seus usuários. O Instagram poderia disponibilizar uma ferramenta que automaticamente identificasse um post agressivo antes mesmo que ele fosse postado, assim a “cultura do cancelamento” já não seria necessária , uma vez que essas pessoas não tivessem acesso ao meio de propagação.