Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/10/2020
Democratização da justiça
Na atualidade, tem-se escândalos de corrupção e acusações de abuso de poder espalhadas pelo mundo, fatos estes que atingem a toda uma população que gostaria apenas de terem seus direitos garantidos e protegidos por um órgão ético. No entanto, as pessoas se revoltam ao ver estas injustiças e começam a ver a justiça como algo capaz de ser feito por todos a qualquer momento, surgindo assim uma “cultura de cancelamento” nas redes sociais, esta nada mais é do quê anular uma pessoa através de xingamentos e marcações do convívio social, ou seja, estão a “Cancelando” através da internet. Porém, é possível ver pessoas que defendem isso e acreditam fazer bem para a sociedade como um todo, concluindo que isto pode poupar tempo para que o acusado seja comprovadamente culpado, porém outros dizem que não, alegam que isto é fazer uma justiça cega e tola, sem real embasamento e muito longe de cumprir com direitos garantidos por lei, até mesmo direitos estes supremos a uma nação, como os direitos humanos.
Pode-se ver assim, que entre prós e contras sobre tal questão, surgem também as vítimas dessa cultura, como o caso de Emmanuel Cafferty, nos EUA, onde numa rodovia ao estalar os dedos com sua mão para fora do carro, teve um movimento entre o dedão e o indicador confundidos com o sinal de “OK”, também conhecido como um símbolo de supremacistas brancos no país, levando um outro carro que passava a encarar tal gesto como errôneo e esdruxulo, o que levou o motorista deste a tirar uma foto e acusar o outro a ser um supremacista. Tal situação, levou Emmanuel de 47 anos a perder seu emprego, ser visto de uma maneira deturbada pela própria família e ainda a ser linchado de xingamentos em suas redes sociais. Emmanuel, hoje em dia, não consegue encontrar emprego por conta do ocorrido e não sabe como será daqui pra frente.
Portanto vê-se que tal situação requer uma legislação e uma ação que seja capaz de lidar com esta cultura de maneira a cumprir com direitos fundamentais e defender ambas as partes. As redes sociais deveriam assumir a culpa por tal situação e iniciarem o mais rápido possível um processo onde o tal sujeito marcado em uma publicação, tivesse o direito de escolher que ela fosse exposta ou não, criando desta maneira uma via de conversa e resolução entre ambas as partes, garantindo uma justiça que ouça a ambos e não viole direitos, sendo que caso este esteja sendo acusado, deixe a opção do mesmo denunciar a acusação e uma via que levasse o caso para uma resolução com intermédio da responsável pela rede social. É possível que medidas assim, pudessem ser implementadas e usadas como resolução deste novo problema cultural.