Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/10/2020

A cultura do cancelamento é um linchamento virtual onde a pessoa é exposta por ter cometido algo politicamente incorreto. O problema é que nem sempre a situação é verídica, ou mesmo, pode ter acontecido a muito tempo atrás.

A cultura do cancelamento tem mostrado quanta empatia falta na nossa sociedade ao julgar o outro por algum ato que nem teve a intenção de  ser ofensivo. No dia 3 de junho de 2020, um americano chamado Emmanuel Cafferty voltava para sua casa quando foi fotografado por um motorista de outro carro enquanto estalava os dedos, o desconhecido o xingou e postou a foto no Twitter associando o gesto de Cafferty com um símbolo racista. Horas depois ele recebeu uma ligação da empresa onde trabalhava dizendo que havia sido demitido. Esse é um episódio que demonstra como esse ato de boicotar e difamar alguém na internet pode ser extremamente injusto quando o ato cometido é mal interpretado.

Ademais, mesmo em casos onde realmente há uma manifestação de preconceito ou de condutas moralmente e socialmente incorretas o “cancelamento” só segue uma lógica punitivista sem educar e instruir a pessoa. A escritora J. K. Rowling foi “cancelada” após ter sido interpretada como transfóbica. A questão é que seria muito mais importante lutar contra a violência contra esse grupo do que “linchar virtualmente” alguém que não teve a intenção de ofender.

A cultura do cancelamento deve acabar pois não somos juízes da internet para dizer que o outro fez é certo ou errado. Deve-se lutar contra injustiças começando coma da cultura do cancelamento.