Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/10/2020

A cultura do cancelamento surgiu da revolta com a falta de justiça presente na sociedade e pode ser compreendida como a repreensão, por meio dos espaços virtuais, de atos e falas que ofendem causas sociais e ambientais. Entretanto, o movimento tem apresentado aspectos violentos e opressores na execução da objeção de comportamentos que ferem as causas defendidas. Dessa forma, anula-se a possibilidade de debate e faz com que a luta por juridicidade se dê erroneamente.

Em primeiro lugar, é preciso analisar o cenário de injustiça que vivemos. Nele, indivíduos infringem a legislação brasileira e não sofrem as consequências necessárias. Dessa forma, os integrantes mal intencionados da população, sentem-se mais confortáveis para realizar crimes, como a difamação e as ofensas realizadas nas redes sociais. Esse ambiente possibilita que o processo de contestação de ideias e atitudes aconteça de forma violenta.

Em segundo momento, destaca-se os possíveis danos que o cancelamento virtual pode causar na sanidade mental das pessoas. O ataque massivo e ofensivo nas mídias sociais, pode incentivar distúrbios mentais e levar, até mesmo, ao suicídio, como foi o caso da blogueira Alinne Araújo, que tirou a própria vida após ser massacrada na internet. Sendo assim, é possível dizer que essa nova cultura é a transposição do linchamento para o ambiente virtual, justificado por uma suposta causa nobre.

Em suma, urge que medidas sejam tomadas para que a justiça seja estabelecida de maneira responsável. Portanto, fica a cargo dos proprietários das redes sociais, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, promover uma intensa campanha de conscientização, por meio das próprias redes, a fim de incentivar o debate de modo saudável e civilizado, o que amenizará possíveis atritos agressivos e as suas consequências.