Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/10/2020

No século XII, a sociedade europeia vivia sob grande controle ideológico da Igreja Católica. Para perseguir pessoas consideradas hereges, essa instituição criou a inquisição para torturar, perseguir ou matar aqueles que discordavam dos valores impostos pela religiosidade. Bem como oito séculos depois, a cultura do cancelamento é a nova inquisição. Dessa forma, aqueles que praticam atos de cancelamento na internet são, analogamente, inquisitores, que calam o “cancelado”, mantendo-o fora do grupo que “possui a razão”.

Em primeira análise, é válido citar Nicolau Maquiavel, que em seu livro “O Príncipe”, defende que, uma vez que você controla um grupo, então você tem poder sobre esse. Logo, aqueles que promovem o linchamento virtual, são providos de um discurso em causa própria, e através da proteção promovida pelo contato à distância, se vêem no direito de controlar uma pessoa que discorda, e seu poder é o alcance imenso que a rede social dá, e assim, aumenta a pressão e a humilhação sobre o emissor. Portanto, esses canceladores podem categorizar pessoas entre “possuidores de opinião válida” e “possuidores de opinião inválida”, o que inicia um processo de alienação e desmotivação do diálogo.

Em segundo plano, o cancelamento seria amenizado caso não houvesse boicote ao emissor da mensagem errada. Como exemplo, em 2015, uma marca de cerveja possuia uma propaganda que incentivava a cultura do estupro, e aconselhava os consumidores a “deixarem o não em casa” durante o carnaval e aceitassem assédios em festas. Desse modo, muitas críticas foram feitas a esse comercial, e hoje, a mesma marca propaga marketing que utiliza preceitos feministas. Em vista disso, se o cancelado tivesse espaço para expressar-se novamente, corrigindo o ato errôneo, as chances de mudança de postura seriam grandes, mas ao invés disso, ocorre a total exclusão do mesmo.

Em suma, é necessário cancelar atitudes, e não pessoas. Então, para solucionar esse problema, o Ministério da Educação com o Ministério das Comunicações, devem investir em propagandas de conscientização contra o cancelamento, incentivando o questionamento e o diálogo, a fim colocar em pauta os erros no discurso para chegar em novas formas de pensar, por meio da discussão construtiva. Por fim, somente dessa maneira preconceitos serão discutidos e revertidos em respeito.