Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/10/2020
De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil do século XXI contraria-o, uma vez que a cultura do cancelamento demonstra-se como uma questão de injustiça. Visto que, a justiça com as próprias mãos é utilizada como forma de criticar as causas sociais e ambientais, mas não é efetiva e nem civilizada. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, as quais possuem como causas não só a insuficiência de leis, mas também a questão sociocultural.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a forma superficial do cancelamento em lidar com questões que são estruturalmente complexas. De acordo com a revista Veja, em 2017, o cantor brasileiro Gustavito foi acusado de abuso sexual em post de Facebook, na sequência, foi cancelado, o qual o fez perder patrocinadores e shows. Porém, em 2019, ele consegui por meio da justiça provar que era uma calúnia. Desse modo, há a necessidade de se debater sobre a cultura do cancelamento, para que se possa evitar a generalização da justiça, pois se essa não vier atrelada a políticas públicas, muitas pessoas continuaram a serem canceladas sem a possibilidade de diálogo e defesa, em virtude da uma cultura intolerante presente na sociedade.
Outrossim, o politicamente incorreto ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo o filósofo Foucault, todas as relações humanas são de poder, já que essas envolvem disputa e domínio, a Microfísica do Poder. Sob esse lógica, percebe-se uma lacuna no que se refere às discussões sobre essa forma de linchamento, esse que tem ocorrido, constantemente, sobre o que é considerado moralmente errado. Entretanto, esse comportamento é ditado conforme a ideologia de cada indivíduo presente na sociedade, com isso, evidencia que a cultura do cancelamento não é a melhor maneira para fazer justiça.
Portanto, é relevante desenvolver ações, tanto políticas quanto sociais, que possam reverter essa realidade. Desse modo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com o Poder Judiciário, formalizar projetos de leis contra quem publicou e contra quem difundiu a cultura do cancelamento. Tais projetos devem ser amplamente divulgados nas redes sociais, de modo a proporcionar uma maior visibilidade sobre o assunto, para que o público em geral possa ter acesso os detalhes da lei proposta e de se posicionar, a fim de efetivar a elucidação sobre o tema. Dessa forma, os cidadãos atuaram ativamente na mudança dessa realidade brasileira.