Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/10/2020
No ano de 2017 o “Me Too” foi criado para expor os famosos que teriam cometido crimes de assédio e agressões sexuais em Hollywood. No entanto, com o passar do tempo, houve uma subversão do sentido original desse movimento, o objetivo inicial se perdeu e muitas pessoas começaram a usar essa ideia para propagar discursos de ódio na internet. Diante de tal realidade, é preciso debater sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.
Em primeira análise, é perceptível que o advento da internet, bem como o surgimento das redes sociais, proporcionou a interação de várias pessoas. Contudo, vale ressaltar a problemática decorrente do mal uso dessas tecnologias, visto que os indivíduos estão se tornando cada vez mais intolerantes ao se deparar com alguém que compartilha uma opinião diferente da sua. Mediante o exposto, o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirma que aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismos de opressão, tal ideal configura a atualidade, pois o linchamento virtual não pode ser confundido com liberdade de expressão.
Em segunda análise, é importante considerar que o engajamento ofensivo é muitas vezes utilizado para alcançar a fama. Baseado nisso, no ano de 2019, o dicionário australiano Macquarie elegeu “cultura do cancelamento” como o termo do ano, considerando que a expressão caracteriza o atual comportamento da sociedade. Nessa perspectiva, deve-se fomentar mecanismos eficientes para solucionar esse problema, levando em conta que esse tipo de atitude pode acarretar consequências negativas ao indivíduo que recebe essas inúmeras ofensas.
Portanto, é necessário a criação de medidas para combater o cancelamento. Para tanto, cabe ao Ministério da Comunicação, em parceria com as empresas criadoras das redes sociais, coibir o boicote ofensivo, por meio da criação de uma política de segurança mais rigorosa, a fim de que esses atos sejam punidos. Ademais, o Ministério da Educação, em conjunto com as instituições escolares, deve criar projetos pedagógicos, como a criação de rodas de conversa, com o intuito de alertar aos jovens sobre a importância de serem mais cuidadosos nas publicações em rede para evitar o surgimento de mais vítimas da exposição desnecessária. Somente assim reduziremos esse impasse.