Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 05/10/2020
Odiados pela Nação", é um episódio de uma série de televisão chamada “Black Mirror”, onde é retratado o uso da tecnologia para exterminar pessoas selecionadas pela população. Nesse episódio, por meio de enquetes nas redes sociais, o público possui o poder de julgar e determinar a sentença de uma pessoa pública que realizou alguma ação de moral questionável. Fora da ficção, a cultura do cancelamento possui uma proposta muito parecida, já que transforma os usuários das redes sociais em juízes das ações e posicionamentos de outras pessoas, o que causa a promoção de personalidades afetadas.
Primeiramente, é necessário enfatizar que a crítica a comportamentos e posicionamentos que fogem dos direitos humanos é válida, com o propósito de promover a reflexão e mudança no sujeito. Entretanto, a transformação das mídias sociais em falsos tribunais traz a tona um ponto preocupante da sociedade atual, visto que a prática do cancelamento é feita de modo destrutivo e irracional. O conceito de anacronismo pode ser visto nos dias atuais, por meio de práticas de procurar nas redes sociais de uma pessoa pública, publicações antigas que gerem algum motivo para o cancelamento do mesmo, é irracional e não leva em consideração a possibilidade de mudança e transformação do ser humano e da sociedade.
Também é importante ressaltar que a cultura do cancelamento não proporciona resultados positivos ao corpo social. É nítido que o processo possui um caráter punitivo ao invés de educativo, fato que não ajuda a reflexão e o aprendizado. Existem casos em que a atitude de “cancelar” alguém pode ter o efeito inverso, por meio do marketing negativo. Assim, a cultura do cancelamento se torna um meio eficaz para a promoção de indivíduos, que demonstram pensamentos preconceituosos com o intuito de ganharem fama nas redes sociais. É notório que a cultura do cancelamento deve ser repensada, já que não possui eficácia, e é nociva. Portanto, é de extrema importância, que o Ministério da Educação, por meio de cursos oferecidos por pessoas que conheçam do assunto, adicione debates sobre o julgamento criado nas redes sociais e foquem a reflexão nos jovens e adolescentes, já que são os principais usuários das redes sociais. Somente assim, a cultura do cancelamento poderá ser repensada e quem sabe se tornar algo transformador da sociedade, contrário ao contexto visto em “Black Mirror".