Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/10/2020

Ao contrário do que muitos acreditam, a cultura do cancelamento tem sido utilizada de maneira errônea, já que não objetiva dar visibilidade à eventos que devem ser revisados e esclarecidos, mas sim julgar e sentenciar os contextos. Pode-se afirmar que os meios de comunicação são um dos principais vetores de transmissão, e as vítimas podem ser distintas, porém existe um foco em celebridades, já que tem uma elevada exposição de vida pessoal em seus trabalhos.

Como já teorizado anteriormente sobre tal cultura, observa-se uma imperfeição nesse método, que apesar de transmitir e engajar um debate social sobre inúmeros conteúdos, gera uma revolta sobre assuntos presentes ou não, o que de certa forma auxilia nessa deliberação. Apesar de ser de extrema importância a transparência de algumas questões coletivas, é importante ressaltar que o leva à um aperfeiçoamento pessoal é a crítica construtiva com o apoio de outros indivíduos para não cometer o mesmo erro, é o ato de intimar e orientar.

Uma preocupação constante tem sido as redes sociais e outras vias de comunicação, que estão presentes no cotidiano de uma pluralidade dos indivíduos, nelas os conteúdos ganham espaço e podem ou não receber observações, sendo elas positivas ou negativas. Em consequência disso, assuntos que podem sensibilizar algumas das camadas sociais ganham uma larga repercussão e divide opiniões, gerando comentários ofensivos, ameaças, abalo psicológico e até a saída dos meios digitais.

É incontestável que os famosos são um dos maiores alvos do cancelamento, já que parte do corpo social e da mídia fica responsável pela divulgação de suas intervenções, embora essas sejam vistas fora de contexto e até acontecendo anos atrás, de modo que a evolução da pessoa fique restrita. É válido indicar que uma interpretação errada um episódio na vida fora das redes sociais, contribui para o massacre vivido na internet, e assim sendo, têm o potencial para aumentar os anseios vividos na sociedade, como por exemplo, o ocorrido com o estadunidense Emmanuel Cafferty, ao qual foi exposto no “Twitter” por fazer referência à supremacia racial com um gesto, mas que comprovadamente se tratava de um movimento fora de contexto, porém devido a ocorrência de eliminação sofreu com ameaças, perda de emprego e aumento de ansiedade.