Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/10/2020
A Ascenção das redes sociais possibilitou o contato entre pessoas de diferentes raças, religiões e posicionamentos político e, por conseguinte, gerou muitos debates acerca de tais diferenças. Nesse contexto, o extremismo presente na internet criou a chamada “cultura do cancelamento”, ou seja, o ataque pessoal aos indivíduos que se apresentarem opiniões contrárias da maioria. Contudo, o ato de cancelar os usuários é extremamente cruel e problemático principalmente pela sua desconexão com o sistema judicial somada à hostilização existente na internet.
A priori, vale destacar que poucos são os casos de cancelamento levados para frente na justiça, na maior parte das vezes, ficam apenas no mundo virtual e sem resultados eficazes. Tal fato é explicitado na fala de Diogo Soares, bacharel em ciências sociais na USP: “É uma espécie de movimentação que não passa por questões de valores, mas sim perseguições e outros sentimentos muito individualistas”.
Ademais, o site Huffpost publicou em julho do ano passado uma reportagem sobre um usuário que publicou em suas redes um vídeo no qual pedia sua atual namorada em casamento e foi “cancelado” com a justificativa de que ao postar o vídeo estaria pressionando a mulher a aceitar, infelizmente o ex-jogador de jogos eletrônicos estava lutando contra a depressão e após sofrer os ataques, cometeu suicídio. Sob tal ótica, percebe-se que a cultura do cancelamento é banalizada quando atacam alguém por cometer um pequeno erro e, ao mesmo tempo hostiliza a internet ao acabar com a empatia dos usuários.
Portanto, depreende-se que o cenário atual é tóxico e precisa ser mudado. Por isso caberá as plataformas de redes sociais com o apoio do Ministério da Justiça, realizarem campanhas de conscientização por meio principalmente das redes sociais contando com auxílio de influenciadores digitais, visando diminuir os ataques virtuais e aumentar as denúncias eficazes. Além disso, em busca de diminuir os discursos de ódio espalhados nas mídias, o Ministério da Educação e as Secretarias da Educação devem implantar nos currículos escolares, debates e discussões acerca dos temas relacionados a minorias sociais.