Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/10/2020

No episódio “Odiados pela nação”, da série “Black Mirror”, os usuários do Twitter perseguiam famosos que cometeram erros e propagavam discursos de ódio sobre os mesmos. Analogamente a obra, a cultura do cancelamento, presente nas redes sociais, rejeita personalidades que tiveram atitudes negativas, dentro e fora do espaço virtual. Logo, essa prática deve ser combatida porque gera um cenário de intolerância devido ao cyberbullying realizado pela sociedade contemporânea e a impunidade existente na internet.

Em primeira análise, é indubitável que, com o avanço da internet, a velocidade e facilidade das informações evoluiram, dessa forma, atingindo mais pesssoas em questão de segundos. No entanto, quando  utilizada de forma errada, a acessibilidade e o engajamento tornam-se um problema, colocando em risco a integridade das vítimas do cancelamento. Para ilustrar, Débora Aladim, youtuber e estudante de história, chamou Sigmund Freud, em um das suas publicações, de pai da psicologia, ao invés da psicanálise, sendo motivo de ridicularizações nas mídias digitais.

Ademais, os agressores conseguem proteger as suas identidades através do anonimato, de modo que, dificilmente conseguem ser processados por calúnia e difamação. Além disso, as medidas de proteção dos sites são falhas ao lidar com o cyberbullying, levando horas para denunciar o perfis e apagar a publicações ou comentários. Por conseguinte, a isenção de penas para os ofensores incentiva outras pessoas a cometerem o ato, aumentando os casos de violência virtual.

Portanto, é necessário solucionar o problema discorrido. Para isso, o Ministério da Educação deve promover o estudo sobre o impacto do cancelamento na sociedade, por meio de palestras e aulas, a fim de evitar o incentivo de ataques na internet. Além disso, o Ministério da Justiça deve aplicar punições, por meio de leis, àqueles que praticam o ímpeto, com o intuito de diminuir os casos e não aceitar a impunidade. Assim, cenários como o de “Black Mirror” não acontecerão mais.