Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/10/2020

Recentemente, os milhares de brasileiros que utilizam a rede social Twitter se depararam com um caso de “cancelamento” em sua timeline. O caso em questão era da youtuber e estudante de História Débora Aladim, que após cometer um pequeno engano, dizendo que Freud era pai da Psicologia, em vez da Psicanálise, foi atacada em massa nas mídias sociais. Tal fato explicita bem a “cultura do cancelamento”, que consiste em expor e praticamente punir uma atitude considerada errada, seja ela de uma pessoa famosa ou não.

Em primeiro lugar, é preciso frisar que esse tipo de cultura pode abrir portas para a disseminação de ódio. Ao estar atrás de uma tela de computador ou celular, sem uma real identificação de sua pessoa, é muito mais fácil reproduzir comentários maldosos direcionados a pessoa ‘cancelada’. Comentários esses que podem chegar até o extremo, incentivando a pessoa mencionada a cometer suicídio. Algumas pessoas responsáveis pelo ato do cancelamento chegam até a procurar publicações antigas, que podem não condizer mais com o pensamento de quem as fez, e as utilizam como justificativa para a ação.

Ademais, muitas vezes a ação do cancelamento não abre margem para o cancelado aprender com seu erro. Um linchamento realizado através de redes sociais definitivamente não é a melhor forma de se entender um erro e aprender com ele, e sim uma conversa, algum tipo de instrução ou até mesmo uma pesquisa na internet. É preciso lembrar que todos estamos passíveis de errar, mas que devemos aprender com isso e não repetir mais esse tipo de comportamento.

Logo, a fim de evitar que a cultura do cancelamento se propague ainda mais, o MEC (Ministério da Educação) pode promover uma campanha composta por vídeos e palestras que divulguem o resultado de um cancelamento na vida de uma pessoa, exemplificando as consequências na saúde mental, por exemplo. Como dito pelo filósofo Immanuel Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, portanto, através dessa ação, que pode ser divulgada tanto em escolas quanto nas próprias redes sociais do Governo Federal, pode-se educar as pessoas para que não reproduzam esse tipo de linchamento na internet.