Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/10/2020

Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear o boicote a um artista, celebridade ou qualquer outra pessoa que tenha dito ou feito algo considerado moralmente errado — ou politicamente incorreto — pelos padrões de determinado grupo. Em alguns casos, o “cancelamento” pode ser justo e fazer sentido, porém em outros pode ser totalmente desconexo e fazer acusações graves a pessoas inocentes, fazendo com que as mesmas sejam prejudicadas.

Primeiramente, é importante falar que alguns casos de “cancelamento” fazem sentido visto a atitude das vítimas. Como exemplo, temos a influenciadora digital Gabriela Pugliesi que, em tempos de pandemia, resolveu dar uma festa para poucos amigos. Apesar de ter pedido desculpas por sua atitude, Gabriela perdeu contratos e teve um prejuízo grande em dinheiro.

Além disso, há casos de pessoas que são acusadas de cometerem crimes, são “canceladas” e acabam sendo prejudicadas, mesmo que não exista nenhuma prova concreta. Como exemplo, temos  caso de  um migrante palestino, dono de uma rede de padarias que emprega 200 pessoas em Minnesota, que se tornou alvo depois de serem encontrados — e divulgados — na internet posts racistas e antissemitas de sua filha, adolescente quando os escreveu. Apesar de ter demitido a filha, hoje adulta, da empresa, seus compradores cancelaram os contratos e ele perdeu linhas de crédito. O negócio pode não sobreviver.

Portanto, é de extrema importância que as pessoas pensem bem antes de fazerem acusações graves e saírem “cancelando” as pessoas na internet, pois elas podem acabar causando prejuízos às outras pessoas. Além disso, professores de sociologia e filosofia façam debates em sala de aula sobre o julgamento criado nas mídias sociais e incitem a reflexão nos jovens e adolescentes, visto que são os principais usuários das redes sociais. Somente assim, a cultura do cancelamento será repensada e poderá se tornar um agente transformador da sociedade.