Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/10/2020

A “cultura do cancelamento” existe há alguns anos para chamar atenção para a justiça social de minorias oprimidas, marcando empresas e pessoas, famosas ou não, que podem ter feito ou dito algo que não se adéqua a luta de igualdades. Por mais que seja importante que a denúncia de casos que oprimam as lutas das minorias exista, é preciso que a prática dessa cultura acabe, pois, além de alcançar reações desproporcionais e sem fundamentos, suas consequências são muito rasas quando se é tratada fora do mundo virtual.

A justiça de causas sociais estão cada vez mais difusas na sociedade atual, trazendo denúncias sobre preconceito e opressão. Porém, juntamente com isso, vem o cancelamento de redes sociais que, embora denuncie certos comportamentos e falas que não são mais tolerados hoje em dia, possui um aspecto punitivo em detrimento do educativo, sendo realizada de forma destrutiva e irracional. “Acho que o [aspecto] negativo é a forma como a gente lida numa certa cultura do ‘hater’, do ódio, esquecendo que precisa fazer críticas mais embasadas e ter mais consciência coletiva da nossa responsabilidade”, foi o que disse a colunista Stephanie Ribeiro em entrevista ao Nexo. Essa prática nega a possibilidade de mudança e transformação do ser humano e da sociedade, proferindo xingamentos a críticas construtivas e educacionais que é a base de toda evolução de um indivíduo.

Além disso, é possível perceber a ineficácia ao cancelar uma pessoa, como foi observado no caso do jornalista William Waack, o qual foi demitido da emissora de televisão Rede Globo ao fazer comentários racistas em um vídeo vazado na internet, porém foi contratado pela CNN Brasil logo depois. Isso demonstra o quão inútil e desnecessário é o ato de cancelar alguém, pois o jornalista não obteve consequências legais e ainda, mesmo com seu histórico, foi contratado novamente. Com toda essa situação, é pode-se inferir que a cultura ocasiona também o efeito inverso, por meio do marketing negativo, promovendo e dando destaque nas redes aos indivíduos “cancelados”.

Em virtude dos fatos mencionados, é necessário que o Ministério da Educação (MEC), com organização, investimentos e acompanhamento de profissionais na área de sociologia e filosofia, crie programas de debates e estimule o jovem a refletir sobre os julgamentos feitos nas redes sociais, já que constituem a maioria de seus usuários. Por meio das mídias, como televisão, rádios e internet, essa ação será divulgada a fim de que a cultura do cancelamento, tão tóxica e nociva à sociedade, deixe de existir.