Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/10/2020

De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Porém, o contexto das terras canarinhas do século XXI contraria-o, tendo em vista que a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea demonstra-se como uma questão de injustiça, o que desestrura a base da sociedade tupiniquim. Dessa forma, essa problemática impossibilita que determinada parcela da população desfrute do bem-estar social previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o fato de muitas pessoas serem canceladas sem provas concretas é um impulsionador da “má anulação”. No livro “1984”, de George Orwell, escritor britânico, o termo “vaporizar” é utilizado para descrever prisões arbitrárias, sem julgamentos e registros de prisões. Concomitantemente, a realidade utópica da obra assemelha-se ao atual cenário brasileiro, à medida que não há confirmação do ato de determinada pessoa. Exemplificativamente, em 2014, uma mulher foi espancada e morta, no Estado de SP, após ter sido falsamente acusada de praticar “bruxaria” com crianças.

Ademais, faz-se mister, ainda, salientar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Na contemporaneidade, o país canarinho ocupa a nona posição na economia mundial, portanto, seria coerente pensar que o Brasil possui um sistema de ensino eficaz. Entretanto, o que existe é o oposto e o resultado dessa problemática é notoriamente refletido na ocorrência de cancelados (com provas concretas) não serem realmente punidos, a depender do lugar social que a pessoa ocupa e o peso que a sociedade dá ou não ao culpado.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual da cultura da invalidação. Para que os problemas acerca do tema sejam solucionados, urge que o Ministério das Comunicações, por meio de verbas governamentais, faça um projeto de conscientização da população em relação ao cancelamento e à “Fake News” (notícias falsas), partindo do Ensino Infantil até o público adulto, ensinando a conferir se a fonte da informação é confiável, ler a notícia toda e ter cuidado com títulos sensacionalistas. Somente assim, a justiça, da frase de Aristóteles, será feita em terra tupiniquim.