Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/10/2020
Santo Agostinho defendeu a ideia de imortalidade da alma, em que cada indivíduo pode usar o bem ou o mal tendo sua liberdade de escolha ou livre-arbítrio. Nesse sentido, Santo Agostinho afirmou que é no mau uso do livre-arbítrio que estaria a origem de todo o mal. A valer, tal afirmação pode ser confirmada na atualidade no que tange a cultura do cancelamento, problema social ocasionado pelo mau uso da livre decisão da sociedade. Sob tal perspectiva, convém debater acerca dos impasses que impedem a resolução da questão. Em primeira análise, nota-se que a falta de empatia é causa expressa da questão. A filosofia descreve a empatia como sendo um dos componentes da compaixão. Nessa lógica, desenvolver empatia é reconhecer e compreender, sem reservas ou julgamentos, o sentimento do outro. Infelizmente, quando se aborda o cancelamento no cenário atual, nenhum dos elementos formadores da empatia são percebidos, uma vez que, os praticantes deste ato esperam algo que eles julgam errado acontecer, para assim, atacar a reputação, perseguir e envergonhar publicamente alguém, alimentando as más consequências provenientes dessa lacuna. Primordialmente, é necessário ressaltar que a crítica a comportamentos e posicionamentos que violam os direitos humanos é válida, a fim de promover a reflexão e mudança do sujeito. Depreende-se, portanto, que a cultura do cancelamento deve ser repensada, dado que é ineficaz e nociva. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação (MEC), por meio de cursos de especialização oferecidos a professores de Sociologia e Filosofia, implemente debates sobre do julgamento criado nas mídias sociais e incite a reflexão nos jovens e adolescentes, visto que são os principais usuários das redes sociais. Somente assim, a cultura do cancelamento será repensada e poderá se tornar um agente transformador da sociedade, oposto ao contexto apresentado em “Black Mirror".