Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 01/10/2020
Manifestações do século XX de caráter humanístico, político e social, como as diretas já e o movimento ‘‘Reggae’’, fomentaram mudanças drásticas nos preconceitos e desigualdades sociais, proporcionadas pela crítica e o debate. Atualmente, expressões como essas mudaram de meio, ganhando engajamento nas mídias sociais, no entanto, gerou uma cultura agressiva de constantes julgamentos depreciativos, característico da polarização. Nessa perspectiva, percebe-se o egocentrismo das pessoas e a cultura de ódio como fatores que agravam esse quadro.
Em primeiro plano, é válido destacar as agressões verbais preconizadas. Nesse sentido, com a facilidade de manifestação, a internet se tornou um lugar de repressão a ações consideradas imorais, movido pela percepção de grupos sobre aquisição da verdade irrefutável. Segundo Aristóteles, a verdade é aquela em que tangencia a verdade absoluta, na qual é o mais próximo que conseguimos chegar, porém, ela é totalmente relativizada, hodiernamente, pelos internautas, o que gera julgamentos mascarados por individualismo contra pessoas que pecaram anteriormente, sem antes ter a chance de redimissão.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para desfazer essa problemática. Dessa maneira, cabe à mídia promover a reflexão dessa cultura por meio de debates em programas e publicidades com influenciadores que acusam e os condenados. Tal prática teria como objetivo conscientizar os internautas a agirem sim com senso crítico, mas também com razão e visão das consequências das condutas em conjunto. Desse modo, tornar manifestações contemporâneas mais embasadas e coesas.