Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/10/2020

Sob a perspectiva filosófica de Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, uma vez que é capaz de provocar uma guerra para suprir suas necessidades e vontades. Voltando-se à sociedade contemporânea, as redes sociais tornaram-se um cenário de guerra com a chamada “cultura do cancelamento”, revelando o lado agressivo do homem. Isso porque o cancelamento de um internauta é feito através de comentários contendo xingamentos por parte de diversos usuários que desaprovaram o posicionamento do “cancelado”. Com isso, tal prática incita o ódio e a intolerância e, dificilmente, traz reflexão ou debates construtivos. Logo, faz-se necessária a tomada de medidas para que os internautas deixem de atacar uns aos outros.

Em primeira análise, a cultura do cancelamento não só reflete uma sociedade intolerante como também contribui para tal caráter. Isso porque diversas pessoas são canceladas nas redes sociais (tais como Twitter e Instagram) simplesmente por apresentarem um ponto de vista que diverge da maioria ou de determinado grupo. Esses, por sua vez, lincham o “alvo” através de comentários maldosos nas publicações deste. Segundo o documentário “O Dilema das Redes”, os comportamentos agressivos na internet estão ameaçando a democracia em certos países, visto que os grupos ideológicos não aceitam a existência de oposições. Sendo assim, a cultura do cancelamento instiga o conflito entre as pessoas.

Outrossim, mesmo que o cancelamento seja aplicado a um usuário que se posicionou com um discurso preconceituoso, o “deixar de seguir” e os comentários agressivos não garantem que tal usuário abandone o preconceito. Exemplo disso está no caso do jornalista William Waack — após ser divulgado um vídeo dele com falas racistas, sofreu cancelamento nas redes sociais e foi demitido de uma emissora de TV. Tempo depois, foi contratado por outra e em nenhum momento ele se mostrou arrependido pelas falas. Portanto, a falta de conversas civilizadas e que agreguem respeito e reflexão fazem da cultura do cancelamento somente mais uma prática agressiva.

Diante dos aspectos citados, é imprescindível que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em parceria às empresas detentoras de controle midiático, conscientize os internautas de que a prática em questão contribui para o aumento da violência no meio social. Isso, por meio da divulgação de campanhas nas principais redes sociais, a fim de evitar a continuidade da cultura do cancelamento entre os brasileiros. Assim, o homem não será mais seu próprio lobo.