Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/09/2020
Na obra “Vigiar e Punir” do filósofo Michel Foucalt, ele analisa que a punição aos indivíduos possui duas funções: refletir o delito e a vingança do soberano. Acerca dessa lógica, no Brasil hodierno, a cultura do cancelamento propaga, em maioria, uma sociedade individualista e pouco empática. Não obstante, as exacerbadas críticas na “internet” contribuem, geralmente, para o aumento de psicopatologias. Logo, ações estatais que transmudem os fatos fazem-se prementes.
Destarte, cada vez maior, o cancelamento nas mídias digitais reflete, em sua maioria, uma sociedade que perpetua um sentimento pouco compreensivo. Sob essa óptica, conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse viés, é notório que o julgamento on-line é utilizado, em maioria, pelos usuários como forma de expor uma superioridade em detrimento do erro cometido por outras pessoas nas mídias digitais, objetivando expandir um ego hipócrita e egoísta, sem pensar nas consequências que isso pode acarretar em terceiros. Desse modo, medidas que transmutem essa realidade são urgentes.
Outrossim, o excessivo linchamento digital influi, majoritariamente, no aumento de psicopatologias, como a depressão e a ansiedade. Nessa conjuntura, como exposto pelo filósofo René Descartes, “é fundamental a discussão popular em âmbitos democráticos, que visem atenuar os problemas que englobam tal comunidade”. À vista disso, o cancelar coletivo mitiga, de forma expansiva, impasses que inibem o progresso pessoal e o coletivo, visto que os indivíduos terão sempre que se policiar em relação às suas atitudes, gerando substanciais sintomas psicopatológicos, abalando as relações interpessoais de convivência de grande parte da população. Por conseguinte, torna-se mais eficaz o fornecimento de políticas sociais que visem ao bem-estar dos usuários.
À luz dessas considerações, é fulcral que o Governo, junto ao Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos, deve criar uma rede de palestras em locais públicos, como parques e praças, com profissionais da área psicológica, que instruam o maior contingente populacional sobre como o comportamento de parte dos usuários pode influenciar de maneira negativa na vida de outros indivíduos, visando a boa relação on-line. Ademais, o Ministério das Telecomunicações deve disponibilizar páginas nas redes sociais, ministradas por psicólogos, que prestem apoio aos usuários que tenham sofrido linchamentos on-line, intentando o bem-estar de maior parte dos indivíduos. Por esses intermédios, a internet pode continuar um ambiente saudável, sem riscos de julgamento no tribunal dos usuários.