Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/10/2020
O conceito de Revolução 4.0, do economista Klaus Schwab, tematiza a inserção da tecnologia no cotidiano dos indivíduos, pontuando a internet como uma experiência intrínseca à vivência contemporânea. A partir desse viés, é possível depreender a importância das redes sociais na vida dos indivíduos e pontuar os aspectos positivos e negativos das práticas nessas plataformas, como a cultura do cancelamento. Dessa forma, por ser uma prática polifônica, a medida que impõe limite a fala e ações de figuras públicas mas também pode ser prejudicial a saúde dos “cancelados”, divide opiniões.
Em primeiro plano, é válido pontuar a necessidade de pessoas que se propõe a falar para a coletividade de se comprometerem com seus posicionamentos. Nesse sentido, a Universidade de Oxford preconiza que vivemos a era da pós-verdade, na qual a população adquire informações em fontes apelativas em detrimento de fontes seguras e confiáveis, em virtude disso indivíduos e empresas voltadas ao público precisam ter responsabilidade e estar atentos a veracidade e legalidade das ideias que propagam. Sob esse panorama, o movimento do cancelamento possibilita que o público fiscalize as ações desse grupo e impeça que falas equivocadas, preconceituosas e ofensivas sejam disseminadas facilmente nas redes sociais. Logo, a cultura do cancelamento na teoria é beneficial ao combate da desinformação e propagação de discurso de ódio na internet no contexto contemporâneo.
No entanto, cabe mencionar a extrapolação da cultura do cancelamento, o linchamento virtual, que é prejudicial a saúde mental da população. Nessa perspectiva, protegidos por contas falsas, muitos usuários ao invés de delatarem os erros e proporcionarem aos “cancelados” a opção de aprender, evoluir e se redimir, promovem uma onda de ataques preconceituosos à essas pessoas, devido a isso, as vítimas desenvolvem transtornos psicológicos como depressão, ansiedade e crise do pânico. Tal lógica, é comprovada pela teoria de Erving Goffman, na qual analisa como a imposição do estigma, marca que desqualifica o seu portador, faz com que o estigmatizado internalize e aceite o que lhe é imposto. Por conseguinte - na prática - o cancelamento torna-se o que busca combater e agrava o problema em voga na contemporaneidade, o aumento dos transtornos psicológicos.
Diante do exposto, portanto, nota-se que solucionar as falhas da cultura do cancelamento, não sera tarefa fácil, porém, tornar-se-á possível. Posto isso, impende ao Ministério da Saúde aliado a cybercultura, fomentadora de mudanças culturais, alertar a população acerca dos perigos do cancelamento. Essa medida deve ser constituída por peças publicitárias, produzidas por psicólogos, e propagada nas redes sociais. Tal medida deve ainda propor as redes que banam disseminadores de ódio. Com fito de proteger a população de ataques. Por fim, o cotidiano na revolução 4.0 será saudável. .