Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/09/2020
No passado, o filósofo Thomas Hobbes escreveu em uma de suas teses que o lobo do homem é o próprio homem, afirmação que encaixa-se nos dias atuais, em que a sociedade julga os demais sem analisar o erro particular. Análogo a isso, há alguns anos, surgiu o movimento conhecido como “cultura do cancelamento” que evidencia a prática de sentenciar ações ditas erradas. No entanto, este posicionamento tem gerado controvérsias ao, inconscientemente, prejudicar tanto o emocional quanto o mental e anular a tentativa de evolução humana.
É válido ressaltar, a princípio, que a sociedade contemporânea não está apta para julgar ou cancelar pessoas por suas ações já que não têm noção dos danos que podem gerar com as palavras. Como prova disso, cita-se o recente caso da blogueira brasileira, Virgínia Wanderley, que depois de aglomerar durante a quarentena e gravar vídeos debochando da situação atual foi extremamente julgada e atacada nas redes sociais. A partir disso, a blogueira expôs em seu instagram mensagens que recebia sendo ameaçada de morte e se pronunciou sobre sua depressão e desejo de morte após o ocorrido. Assim, é evidente a necessidade de reavaliar a cultura do cancelamento e o que as palavras podem impactar na vida de alguém.
Nesse contexto, torna-se necessário destacar que a sociedade brasileira ainda se encontra em retrocesso na questão perdoar e aceitar a evolução humana. Tem-se como evidência, ficcionalmente, a série “Elite” que retratou a rotina do personagem Polo que foi extremamente ameaçado após, acidentalmente, matar uma amiga do colégio e este, mesmo ao mostrar evolução, não foi perdoado. Assim, fora da ficção, atos como este são bem presenciados e, a partir disso, é necessário buscar alternativas para efetivar a tentativa de aceitar a evolução humana já que todos estão sujeitos a erros.
Portanto, primeiramente, cabe ao governo locar e ao sistema educacional apresentar meios para a reeducação de como tratar o próximo por meio de palavras e debates em escolas sobre a cultura do cancelamento e as consequências deste, além de alertar sobre o que expõem nas redes sociais - haja vista que os veículos de comunicação têm sido locais de inúmeros julgamentos - a fim de que se preserve a saúde mental dos demais. Ademais, é necessário colocar em prática a educação domiciliar sendo ensinado aos filhos a respeito do perdão e entender que a sociedade é feita de erros e evoluções. Assim, divergir e melhorar, coletivamente, o que foi escrito por Thomas Hobbes em sua tese sobre o homem ser lobo dele próprio.