Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/09/2020

Com o advento da internet e dos meios de comunicação, a disseminação de informações ou opiniões se tornou cada vez mais fácil. Porém, algo dentro dessas opiniões ganhou muita força e vem crescendo desde 2016 até os dias atuais: a cultura do cancelamento. Uma prática provinda das redes sociais que, de maneira errônea foi criada para fins ignorantes, exalando sempre ódio disfarçado de opinião.

A cultura do cancelamento não tem uma origem certa, contudo um dos primeiros registros dessa movimentação nas redes sociais tem início na mobilização de vítimas de assédio sexual, na qual ficou conhecido como movimento “#MeToo”, que ganhou maior visibilidade em 2017 com denúncias vindas de Hollywood. Entretanto, mesmo aparentando um começo justo para persuadir as pessoas nas redes sociais sobre determinado assunto, a cultura do cancelamento fugiu de um contexto justiceiro e passou a representar o ódio ou inveja de algumas pessoas sobre outras, servindo não como um movimento de mudança social, mas sim como objeto de difamação popular. Além disso, atualmente essa forma de exposição social nos meios de comunicação toma como base argumentos fracos, na qual a pessoa responsável pelo cancelamento da outra procura arquivos antigos, afim de poder incriminá-la pelos erros do passado.

Do mesmo modo que procura os erros no passado sufocando a pessoa cancelada com argumentos sem deixá-la ao menos se defender, o cancelamento está constantemente sendo utilizado de maneiras frívolas, para questões que não necessitam de tamanha comoção nas redes sociais, deixando qualquer usuário na internet no alvo dessa nova cultura. Um exemplo das consequências do cancelamento pode ser observada no caso do “streamer” Byron “Reckful” Bernstein, que se suicidou após um grande número de críticas a respeito de um pedido de casamento que ele fez para sua namorada no “Twitter”. O motivo do cancelamento é algo extremamente irracional, pois as pessoas diziam que ele estava pressionando sua namorada a aceitar o pedido de casamento, dessa forma o cancelamento foi apenas o dedo no gatilho para levá-lo ao suicídio, uma vez que Reckful já era diagnosticado com depressão, o que piorava as circunstâncias dele junto ao linchamento virtual.

A cultura do cancelamento apenas compartilha ódio atrás de ódio, assim a solução ideal para esse problema não é desaparecer com o ato de “cancelar”, mas por meio das plataformas digitais (como o “Twitter”) mostrar com propagandas as consequências da utilização errada do cancelamento, tendo o apoio de grandes nomes dentro dessas redes sociais, com o objetivo de popularizar uma nova ideia sobre a cultura do cancelamento.