Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/09/2020
A cultura do cancelamento é um fenômeno moderno característico das redes sociais, como Twitter e Facebook. Nesse sentido, o movimento busca dar visibilidade a causas sociais, de forma a auxiliar minorias e grupos oprimidos pela sociedade. No entanto, na realidade, tornou-se uma prática, não só ineficaz, como também motivadora de grande intolerância nos meios digitais.
Em primeira análise, deve-se considerar que “cancelar” uma pessoa por suas ações ou ideias não soluciona os possíveis problemas causados. Isto é, cancelar os policiais que assassinaram George Floyd, em 2020, por exemplo, não traria a vida dele de volta, nem mesmo faria com que os responsáveis fossem penalizados. Sob esse viés, é perceptível que a cultura do cancelamento não é, de fato, eficaz no que tange às causas sociais, mas, sim, apenas uma forma de oprimir indivíduos.
Ademais, as críticas e ataques fomentados pela prática em questão, além de oprimirem pessoas, criam um ambiente intolerante, comprometendo a liberdade de expressão. Acerca disso, segundo a Lei 5.250, de 1967, os cidadãos devem ser livres para manifestar pensamentos e ideais, sem estarem sujeitos à censura, contanto que não infrinjam outras legislações. Diante disso, é evidente que a cultura do cancelamento contraria a garantia de liberdade de expressão, motivando a intolerância nas plataformas digitais.
Logo, é mister que o “cancelamento” seja substituído por práticas verdadeiramente eficazes e indulgentes, como debates. Para isso, é dever das redes sociais, como Twitter, Facebook e Instagram, promoverem a campanha “não cancele, converse”. Nesse caso, a divulgação pode ser feita por meio de “hashtags” e vídeos que expliquem a ação, demonstrando a maior eficiência de um debate digno, em detrimento da opressão. Assim, os meios digitais serão menos intolerantes e o direito à liberdade de expressão será plenamente exercido.