Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/09/2020

Cultura do cancelamento

" O sábio se envergonha de seus defeitos, mas não se envergonha de os corrigir", já afirmou Confúcio, pensador chinês do período das primaveras e outonos. Neste ínterim, observa-se que o ser humano é imperfeito, porém o detentor da sabedoria conseguirá aprender com suas falhas. No entanto, a cultura do cancelamento discutida na sociedade contemporânea, não oferece uma oportunidade para o aprendizado. Nesse sentido, faz-se necessário analisar esse quadro, abordando aspectos culturais e educacionais relacionados à ele.

Em primeiro plano, evidencia-se a ausência de senso crítico do ser humano para compreender o principal fator em uma discussão geradora de cancelamento, e um exemplo disso é o movimento “Black lives matter”, que luta pelo fim do racismo, porém utilizou de violência como um meio para isso, agredindo pessoas e ateando fogo em locais públicos. Nagib Neto, autor paulista já citou: “a única arma capaz de combater a violência é a inteligência”. Logo, se os cidadãos não compreenderem que o racismo é algo muito mais profundo que isso, e deve ser combatido a partir de conversas construtivas, tal problemática não será resolvida.

Outrossim, deve-se mencionar a atribuição das Instituições escolares nesse panorama. Nesse viés, é inegável que as escolas evidenciam apenas a importância de realizar tarefas perfeitas, obliterando assim, que o ser humano comete erros. Um exemplo claro disso é o constante incentivo das escolas para realização de provas ou simulados, porém, acabam deixando em segundo plano a parte principal desse processo: a correção dos erros, para que não venham a ser cometidos posteriormente. Diante dessa perspectiva, o filósofo grego Sócrates deixou um marco na história com a frase " só sei que nada sei", declarando sua humildade e vontade de aprimorar conhecimentos.

Fica claro, portanto, que medidas são necessárias para alteração desse quadro. Dessa forma, é mister que a Secretaria da Cultura, juntamente com o Ministério da Educação mobilizem-se por meios midiáticos (Facebook ou Instagram), realizando palestras e videoaulas sobre a magnitude do problema gerado pela cultura do cancelamento, realizando uma análise acerca de questões polêmicas de maneira profunda, que possa gerar discussões edificadoras. É imperioso ainda, o incentivo às Instituições Familiares aderirem a esse debate, instruindo os filhos à leitura que gera o senso crítico, para saber discernir o julgamento, do debate construtivo. Dessa forma, a premissa de Nagib Neto seria cumprida, e as pessoas iniciariam a utilizar a inteligência na construção de uma sociedade melhor, descartando assim, a violência e o cancelamento.