Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/09/2020
No livro “A Sociedade do Espetáculo”, é feita uma crítica tanto ao consumismo que domina a sociedade capitalista, como à importância excessiva dada, pelos indivíduos, a sua imagem perante as outras pessoas. Analogamente, a procura por uma imagem perfeita na Era Contemporânea se mostra através da cultura do cancelamento, na qual os indivíduos que não seguem os valores morais e as mesmas perspectivas vigentes são excluídos em inúmeras esferas. Acerca desse processo, pode-se citar como causa a maior exigência, por parte da sociedade, de condutas condizentes com os valores que nela imperam, o que promove um problema: a marginalização exagerada dos “cancelados”.
A priori, segundo o magistrado José Renato, em seu livro “Ética Geral e Profissional”, os indivíduos contemporâneos, em sua maioria, exigem que as pessoas de seu ciclo social e que as empresas, das quais são clientes, estabeleçam condutas condizentes com a moral imperante na sociedade - caso contrário, tanto as empresas quanto os indivíduos estão sujeitos a exclusão intensiva. Sob tal óptica, como dito por José, o mercado está aberto e favorável apenas aos entes que respeitem essas exigências, assim como os grupos sociais procuram ao máximo se relacionar primordialmente com indivíduos moralmente alinhados. Dessa forma, há o fortalecimento do “cancelamento” de qualquer indivíduo ou instituição que tenha algum comportamento não aceito moralmente - como pode ser visto no recente caso em que um cachorro foi morto por um funcionário dos mercados Carrefour e a empresa arcou com boicotes severos da população, segundo o jornal Oglobo.
Além disso, é importante comentar que, mesmo incentivando condutas mais éticas, a exclusão promovida pela cultura do cancelamento é exagerada, podendo marginalizar indivíduos. A esse respeito, pode-se comentar o caso da ex- atriz pornô, Mia Khalifa, que, - de acordo com o site Change.Org - mesmo divulgando se arrepender de seu emprego e levantando uma petição para a retirada de seus vídeos da internet, sofre tanto pelo preconceito nas redes sociais e no mercado de trabalho, como pelo corte de relações e apoio estabelecido pela família. Nesse sentido, percebe-se que tal exclusão, apesar de visar por uma sociedade melhor, vai contra os ideais de respeito e aceitação.
Com base no exposto, é evidente não só a relação da cultura do cancelamento com as exigências morais contemporâneas, como a necessidade de combater a marginalização promovida por ela. Para tanto, a Agência Nacional de Telecomunicações deve, por meio de propagandas em TV aberta, incentivar o respeito e o perdão aos indivíduos que sofrem do cancelamento. Assim, tais propagandas terão como locutores indivíduos que sofreram da exclusão em questão, os quais mostrarão os impactos desse problema em sua vida. Com isso, as mazelas da cultura cancelamento serão combatidas.