Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2020

O fenômeno da modernidade trouxe consigo diversas vantagens e pontos positivos para a convivência da vida em sociedade, no entanto, valores foram se perdendo e a sociedade tem se tornado cada vez mais intolerante e crítica. Em decorrência disso e da livre manifestação de opinião, surgiram-se inúmeros fenômenos que se destacam pela forma como chamam atenção e se estendem na sociedade, entre eles está a cultura do cancelamento.

Com o advento das tecnologias, o acesso aos meios de comunicação e redes sociais se tornou ainda mais popular, pessoas conseguem se conectar à outras que estão a milhares de distância e acompanham o dia a dia de algumas, através de redes sociais. A partir de tal facilidade, atos que por vezes passariam despercebidos se tornam visíveis para um grande público por meio de compartilhamentos e ganham grandes proporções, através de um vídeo ou fala. Apesar da internet ser considerada “terra de ninguém”, é extremamente necessário que haja responsabilidade em tudo que é exposto publicamente, para evitar futuras exposições e consequentemente reprovações por parte de um grande povo que “cancela” pessoas a partir de suas atitudes, sendo uma forma eficaz de propiciar a reflexão da sociedade acerca de temas frequentes, mas que raras vezes são expostos.

Nesse sentido, é nítido o aumento do número de pessoas que, em decorrência de seus preconceitos, seja ele racial, social, de gênero, sexual, gordofóbico, têm enfrentado essa “cultura do cancelamento”, uma vez que o público da internet utiliza o meio mais popular de divulgação de notícias em prol de uma causa, a fim de promover justiça social e gerar um desconforto e consequência social e psicológica no autor da prática reprovável, com o intuito de evitar a reincidência daquele ato, por meio de  muitos compartilhamentos de uma só vez, gerando muitos acessos e logo, alta visibilidade ao assunto. Contudo, em decorrência da grande proporção gerada pela internet, há casos em que a grande espetacularização promovida pela busca por justiça gera injustiças, refletindo na vida profissional, familiar e no círculo de amizades do indivíduo, contribuindo para diversos problemas psicológicos, entre eles a ansiedade e futuramente o suicídio. Emile Durkheim nomeia esse tipo de suicídio por altruísta e o define como a forma de escapismo da realidade.

Diante de tal problema, cada vez mais frequente na sociedade, é imprescindível o desenvolvimento de propagandas e incentivos à população sobre a reflexão, a responsabilidade e consciência acerca de tudo o que é falado, feito e compartilhado, por meio das escolas em parceria ao Ministério da Educação e da Saúde, a fim de evitar o preconceito, bem como o crescimento exagerado da prática do cancelamento, que gera consequências irreparáveis à vida do indivíduo.