Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2020

Após o fim da Guerra Fria, com a ascensão do capitalismo e da consequente globalização, a informação passou a se popularizar cada vez mais, gerando assim uma certa facilidade em compartilhar notícias, independentemente de sua veracidade. A cultura do cancelamento, prática em que os internautas utilizam de sua voz em redes sociais para “fazer justiça” contra erros de terceiros, é decorrente de tal acesso rápido e simples à internet e vem gerando mais problemas que soluções, dado que, muitas pessoas são canceladas sem recortes sociais, etários e sem fatos concretos, o que as leva a não saber nem o motivo de seu cancelamento.

A fim de cancelar alguém, muitos internautas se esquecem do contexto em que vive, ou viveu, aquele que está sendo cancelado, como o MC Poze Do Rodo, que teve seu cancelamento por conta de uma fala homofóbica, ou então Sílvio Santos, por suas diversas falas preconceituosas principalmente a respeito de mulheres. De certo, nenhum tipo de preconceito é tolerável, ainda mais quando se é uma figura pública, mas cobrar “desconstrução” de alguém que viveu em periferia com acesso mínimo à informação, ou que nasceu na década de 30 é, sem dúvidas, um ato intolerante e irresponsável.

Segundo o filósofo Foucault, o poder não está em um só lugar ou em uma só pessoa, mas sim está na rede composta de saberes e discursos, fazendo um paralelo com o vivenciado agora, pode-se dizer que, um grupo de “canceladores” mantém sua coerência pois formam uma voz maior, passando a impressão de sensatez, verdadeira ou não. O grande problema se dá quando tal grupo, utiliza de sua força para cancelar alguém baseado em notícias falsas ou “mal-contadas”, como, por exemplo, o cantor canadense Justin Bieber, que sofreu várias críticas e cancelamentos por notícias baseadas em “achismos” e inverdades, relacionadas a seus relacionamentos passados e também seu comportamento público, como por exemplo quando o artista “pixou” um muro no Rio de Janeiro e foi criticado, mesmo tendo autorização para tal ato.

Diante do exposto, conclui-se que, o cancelamento indevido, falso e sem recortes é um ato soberano, prejudicial e pode ser considerado crime. Por isso, cabe aos aplicativos que fiscalizem seus usuários e as notícias compartilhadas pelos mesmos, avisando ou removendo a postagem, caso haja informações falsas ou promoção de ataques cibernéticos. Cabe também ao governo, junto ao Ministério da Educação, adicionar aulas de ética na grade curricular, para auxiliar na “desconstrução” e na intolerância de cada qual, com fim de moldar uma sociedade mais empática e livre de preconceitos e julgamentos.