Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2020

Com o desenvolvimento e popularização da internet, veículos de comunicação são mais relevantes dentro das redes sociais que possuem quantidades volumosas de usuários, e cada pessoa pode ter mais de um perfil em determinada rede social, afinal, é um meio virtual que não diz respeito à realidade, estando mais próximo a um meio anárquico do que civilizado, devido a ausência de leis efetivas, e pelo fato da pessoa não precisar ser ela, podendo agir como um alter ego, isto é, sem se preocupar com os absurdos que fala e pratica dentro da internet.

É da natureza humana julgar aquele que pratica uma ação considerada errada em uma determinada cultura, na Bíblia há a história de pessoas apedrejando uma mulher que se prostituía por considerar uma ação repudiante e desrespeitosa, por se tratar de um texto bíblico, Jesus diz “aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra”, até chegar na Idade Média, quando os chamados “hereges” eram queimados com a justificativa de ir contra a fé cristã, de acordo com o filósofo Luiz Pondé, ver pessoas serem queimadas e linchadas era uma diversão para a sociedade daquela época.

Nas redes sociais não é diferente, mas ainda pior, pois as pessoas se sentem validadas agindo daquela maneira, tendo em vista que em uma discussão na internet tudo acaba sendo permitido, os agressores se sentem no direito de praticar justiça com as próprias mãos, guiando as massas populares da internet a segui-los, como atacar alguém que postou algo minimamente desconfortável para outra pessoa, mesmo quando se trata de coisas bem pessoais, os “canceladores” se acham os donos da bondade e supostamente sabem quando alguém se sentiu injustiçado, mesmo sem provas.

O parágrafo anterior se consolida quando isso afeta o psicológico de alguém que já passava por complicações anteriores, ser “cancelado” só piora a situação, como é o caso do jogador profissional de World of Warcraft, Byron Bernstein, que após pedir sua esposa em casamento pelo Twitter, recebeu diversos ataques dizendo como aquilo era errado e expositivo para a mulher, e se suicidou, os agressores se sentem no direito de dizer como alguém se sente, ignoram a razão e excluem a necessidade de fatos, o ódio e o repúdio basta para agir conta alguém.

Com base no que foi dito, cabe aos órgãos de administração de cada rede social controlar as ações dentro do meio virtual, sendo mais rígidos para criar um usuário, exigindo documentos pessoais, observando o comportamento de influenciadores e publicações que ganham engajamento, banindo aqueles que propagam ódio e orientando as pessoas com complicações psicológicas a saírem das redes sociais  até se recuperarem, dessa forma, o meio virtual se tornará um lugar mais aberto a propagação de ideias e debates, exercendo a função de um veículo comunicativo e aberto ao público.