Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 22/10/2020
A primeira onda de defesa dos ideais feministas, iniciada no século XIX, repercutiu em extensas dimensões em todo o mundo. Tal fato trouxe diversas mudanças sociais, entre elas a possibilidade da mulher entrar para o mercado de trabalho e ter sua própria renda. Desse modo, a luta por essa e outras milhares de causas sociais e ambientais ganham força na ânsia por um mundo mais igualitário e consciente. Assim, o século XXI continua com as lutas, embora o panorama social e ambiental da atualidade tenha mudado consideravelmente. Entretanto, com a defesa exacerbada de ideias surge uma problemática, ao passo que se tem evidente a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.
Mormente, é importante destacar que a cultura do cancelamento é uma forma de expandir assuntos complexos, como racismo e o feminismo, o que, de certa forma, contribui para que um passado discriminatório e de exclusão não volte a se repetir. Segundo a feminista e colunista Stephanie Ribeiro, hoje em dia uma pessoa não pode dar uma entrevista e falar algo racialmente absurdo, porque alguém vai dizer que está errado e isso, segundo ela, é muito positivo, pois é possível perceber que as pessoas estão se identificando mais facilmente com determinadas condutas. Porém, essa cultura contemporânea, traz malefícios, ao evidenciar a agressividade dos que cancelam.
Acresce também que a maioria das pessoas que são repreendidas por seus atos caem no esquecimento, o que mostra que os cancelamentos não têm impactos reais em relação à sociedade, evidenciando uma forma rasa de lidar com tais assuntos extremamente complexos. Como o caso do jornalista William Waack, que foi demitido da Rede Globo após o vazamento de um vídeo no qual fazia comentários racistas, porém foi recentemente contratado em outra emissora. Com isso, torna-se importante mencionar que a duração e o impacto do cancelamento têm muito a ver com o lugar social que cada qual desses atingidos ocupa, como a própria Stephanie menciona.
Portanto, indubitavelmente, fazem-se necessárias medidas para alterar esse cenário. A intervenção de ONGs é um aspecto relevante à medida que crie campanhas e alertem a população da importância de lutar por causas sociais, para que os assuntos em pauta tenham a complexidade e a relevância que demandam. É possível também que os usuários do “Twitter” criem “hashtags” contra o racismo, a favor do feminismo e entre outros assuntos, para que possa levantar debates conscientes e não exposições de pessoas e nem agressividade. Assim, é possível que a população melhore sua conduta e construa um mundo menos discriminatório.